O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, não escondeu quem culpa pelos problemas econômicos de Cuba. O culpado, segundo Rubio, é um conglomerado militar conhecido pela sigla GAESA.
“Cuba é controlada pela GAESA”, disse Rubio na quarta-feira (20) em uma mensagem de vídeo em espanhol dirigida ao povo cubano.
“Um ‘estado dentro do estado’ que não presta contas a ninguém e acumula os lucros de seus negócios em benefício de uma pequena elite”, afirmou o secretário.
A liderança cubana raramente fala publicamente sobre a GAESA. Há muito tempo, alega que tal discrição é necessária para enfrentar o bloqueio comercial e financeiro dos EUA, que complica severamente as relações da ilha com o mundo exterior.
O que é a GAESA?
GAESA significa Grupo de Administração Empresarial. É um extenso conglomerado de empresas administradas pelos militares, amplamente considerado o mais lucrativo e eficiente da ilha.
A GAESA controla muitos dos hotéis cinco estrelas da ilha caribenha, seu maior porto em Mariel, seu principal banco comercial, além de uma vasta gama de supermercados, postos de gasolina e empresas de remessas.
O grupo guarda-chuva, rigidamente controlado, foi criado na década de 1990 pelo então ministro da Defesa, Raúl Castro, e é controlado pelas Forças Armadas Revolucionárias da ilha.
Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, ex-genro de Raúl Castro, chefiou a GAESA até sua morte em 2022. Sua sucessora, a Brigadeiro-General Ania Guillermina Lastres, foi alvo de sanções dos EUA no início deste mês, impostas pelo governo do presidente Donald Trump.
Talvez a demonstração mais visível da proeminência da GAESA em Cuba seja a chamada Torre K, um edifício de 42 andares que abriga o hotel cinco estrelas Iberostar Selection La Habana e é o mais alto da ilha.
Sua construção, ligada aos negócios da GAESA, foi concluída em 2025, numa época em que o turismo estava em declínio. A torre e o hotel agora estão ociosos e vazios.
O que os EUA dizem sobre a GAESA?
Rubio mencionou o grupo oito vezes durante sua mensagem de cinco minutos ao povo cubano. O governo Trump acusa a GAESA de acumular lucros das indústrias mais valiosas do país e usá-los em benefício dos militares e da elite cubana.
“A verdadeira razão pela qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam o país saquearam bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo”, disse Rubio.
Os EUA impuseram repetidamente sanções aos negócios da GAESA, proibindo efetivamente qualquer turismo americano em hotéis pertencentes ao conglomerado.
O que diz Cuba?
Cuba nega que o enriquecimento ou a corrupção da GAESA sejam os culpados pela atual crise econômica e aponta para comentários recentes de especialistas da ONU (Organização das Nações Unidas) de que o bloqueio de combustível imposto pelo governo Trump levou à “escassez de energia”, com graves consequências para os direitos humanos e o desenvolvimento.
Fora disso, pouco se diz sobre o conglomerado. Uma busca online no principal jornal do Partido Comunista, o Granma, revelou apenas sete resultados com o termo “GAESA” em 20 anos. As citações são escassas e carentes de informações.
Poucos funcionários cubanos comentam publicamente sobre a GAESA, e as finanças do conglomerado não constam no orçamento do governo comunista.
Diversos funcionários públicos sugeriram ao longo dos anos que o sigilo é necessário para garantir a operação de negócios estratégicos que geram divisas em meio às severas sanções dos EUA.
Em 2024, Gladys Bejerano, então controladora-geral e principal auditora de Cuba, declarou à agência de notícias espanhola EFE que a GAESA não estava sob sua jurisdição e que o grupo empresarial liderado pelos militares possuía “disciplina e organização superiores”.
Qual o tamanho real da GAESA?
Não há informações públicas sobre a porcentagem da economia cubana controlada pela GAESA. Estimativas externas variam de 40% a 70%.
Rubio afirmou que a GAESA tem receitas três vezes maiores que o orçamento atual de Cuba.
“Hoje, enquanto vocês sofrem, esses empresários têm US$ 18 bilhões em ativos e controlam 70% da economia cubana”, disse ele.
Na semana passada, a embaixada de Cuba no Reino Unido publicou na rede social X que uma reportagem do Miami Herald, que citava a cifra de US$ 18 bilhões, havia inflado a riqueza da GAESA em 24 vezes.
“Uma simples contabilidade desmascara essa ‘bomba'”, disse a embaixada.
“Por que o engano? Inventar um tesouro secreto de US$ 18 bilhões fornece uma desculpa política conveniente para intensificar as sanções ilegais que sufocam a população cubana”, acrescentou.
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