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Veja destaques da posse de Kevin Warsh como chair do Federal Reserve

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Veja destaques da posse de Kevin Warsh como chair do Federal Reserve

Kevin Warsh tomou posse nesta sexta-feira (22) na Casa Branca como chair do Federal Reserve, sucedendo Jerome Powell.

Warsh, de 56 anos, assume o cargo de quatro anos em um momento de crescente incerteza em relação à inflação nos Estados Unidos, conflitos geopolíticos e mercados financeiros voláteis, além da crescente pressão política sobre a independência do banco central americano.

“Espero que ele seja lembrado como um dos maiores presidentes do Fed que já tivemos, realmente acredito nisso”, declarou o presidente Donald Trump durante um discurso no Salão Leste da Casa Branca, na primeira aparição pública dele com Warsh desde que o indicou no início deste ano.

Warsh não escondeu as mudanças significativas que prevê para o Fed, as quais enfatizou em breves declarações após a posse.

“Liderarei um Federal Reserve orientado para reforma, aprendendo com os sucessos e erros do passado, rompendo com estruturas e modelos estáticos e mantendo padrões claros de integridade e desempenho”, destacou Warsh.

Escolhido por Trump em janeiro, quando as expectativas apontavam para um crescimento estabilizador e uma inflação mais baixa, Warsh assume agora o comando de uma economia que está passando por mudanças devido ao impacto da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã. O choque do petróleo elevou drasticamente os preços da gasolina, as taxas de hipoteca atingiram o nível mais alto em nove meses e a inflação geral disparou para o nível mais alto em três anos.

O consumidor americano tem se mostrado resiliente, continuando a gastar apesar dos preços mais altos e protegendo a economia de uma recessão. No entanto, as preocupações com a acessibilidade financeira deixaram muitos americanos insatisfeitos com a economia, o que pode ter grandes repercussões políticas nas eleições de meio de mandato. A confiança do consumidor está no nível mais baixo de todos os tempos.

Isso coloca Warsh diante de um dilema ainda maior e o pressiona imediatamente a sinalizar como o Fed responderá à tensão na economia americana: manter as taxas estáveis ​​e aguardar maior clareza, ou adotar uma postura mais restritiva caso a inflação se mostre mais difícil de conter.

Warsh é amplamente visto como aliado de Trump, que tem exigido cortes agressivos nas taxas de juros e chegou a brincar que processaria Warsh caso ele não reduzisse os custos de empréstimo. Trump afirmou que as taxas de juros precisam ser mais baixas para reduzir os custos de empréstimo do governo e impulsionar o crescimento econômico.

Mas Trump frisou nesta sexta-feira (22) que quer que Warsh seja “totalmente independente”.

“Não olhe para mim, não olhe para ninguém, apenas faça o seu trabalho e faça um ótimo trabalho”, disse Trump. Ele chegou a criticar repetidamente Powell por não reduzir as taxas de juros, chegando a ameaçar demiti-lo.

Warsh apontou para a própria obrigação de liderar o Fed de forma independente, com o objetivo de reduzir a inflação e fortalecer o crescimento econômico.

O chair do Fed, sozinho, no entanto, não pode reduzir as taxas de juros. O braço de política monetária do banco central, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), define as taxas com base nas condições e perspectivas econômicas atuais, e não nas exigências de um presidente em exercício.

Trump comentou nesta sexta-feira (22) que acredita que Warsh tem “o temperamento e a capacidade de liderança para fomentar a colaboração em todo o conselho, e que sabe que ele acolherá debates robustos na missão de manter os preços estáveis ​​e o nível de emprego elevado”. “Kevin terá o apoio total da minha administração”, continuou.

Embora os membros do Fed tenham projetado, em março, um corte nas taxas de juros ainda este ano, eles mudaram de opinião nos últimos meses, ao avaliarem o impacto econômico do aumento dos preços da energia e da instabilidade geopolítica. A maioria dos membros agora prefere manter as taxas estáveis, com alguns até mesmo cogitando a possibilidade de um aumento.

A primeira reunião de Warsh como presidente do Fed está marcada para 16 e 17 de junho.

Nova Era para o Fed

Warsh propôs diversas mudanças importantes para o banco central dos EUA, incluindo a limitação da comunicação dos membros do Fed com o público sobre as previsões para as taxas de juros.

Warsh também tem sido um forte defensor de manter o Fed fora de questões que não tenham ligação direta com as responsabilidades essenciais. Isso está em consonância com o pensamento de Trump.

“O Fed se perdeu nos últimos anos”, criticou Trump.

“Ele se distraiu com preocupações muito distantes da missão e objetivos de mandato, desviando-se para assuntos como política climática e iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão”, acrescentou.

*Elisabeth Buchwald, da CNN, contribuiu com esta matéria

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