Testes de uma nova vacina contra chikungunya desenvolvida entre a USP (Universidade de São Paulo) e a Universidade de Bonn, na Alemanha, têm registrado bons resultados. O protótipo do imunizante utiliza uma nova técnica pode ser segura para diversos grupos populacionais e ainda existe a possibilidade de ser usada contra outras doenças virais.
O protótipo contra o vírus CHIKV foi criado utilizando engenharia genética e possui um princípio diferente do usado em vacinas disponibilizadas no Brasil. Por usarem o vírus atenuado, quando é vivo e enfraquecido, os imunizantes atuais são restritos para pessoas entre 18 e 59 anos, não sendo seguros para crianças, imunossuprimidos e idosos.
A nova técnica afeta o processo de maturação do vírus, responsável por torná-lo infecioso. Para poder se espalhar, o vírus passa por um processo de maturação celular chamado clivagem, que é feito por uma enzima humana chamada furina.
Os cientistas conseguiram alterar o genoma do CHIKV substituindo o local onde a furina age por um sítio de corte de uma protease do vírus do mosaico do tabaco (TEV).
Danillo Esposito, primeiro autor e pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, afirmou que uma vez clivado, o vírus ganhou a capacidade de realizar sua ligação e fusão com a célula vegetal, o que o faz apto para infectar. A vantagem é que o TEV não infecta animais, apenas plantas, impedindo a maturação natural.
“Quando a célula tinha furina, ela voltava a ser infecciosa e produzia vírus infeccioso. Quando a gente percebeu isso, pensamos em retirar, na verdade, a parte no genoma que vai codificar para a protease da furina”, explicou o cientista sobre a pesquisa, que foi publicada recentemente revista científica NPJ Vaccines.
Bons resultados
Os testes foram realizados em animais. Houve 100% de sobrevivência em camundongos vacinados que foram infectados com o CHIKV. Além disso, a viremia e os inchaços causados pela doença foram diminuídos e os anticorpos cresceram em cerca de nove vezes.
A boa notícia é que a técnica, se aprovada, poderá ser usada criar uma nova vacina contra o Zica Vírus, podendo até mesmo ser usado em grupos fragilizados e gestantes no futuro.
Vacina em estudo tem eficácia contra células tumorais ligadas ao HPV

