A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) disse à CNN que ainda tem tentado abrir canais de interlocução com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir a situação financeira do BRB.
Aliados de Lula, no Planalto, porém, avaliam sob reserva que o governo federal não deve atender ao socorro do banco e recusou o pedido de encontro com Celina neste momento diante do desgaste político provocado pelo escândalo envolvendo o Master.
Auxiliares do presidente defendem cautela para evitar associação do Planalto à crise que atingiu o BRB após revelações sobre operações conduzidas durante o governo de Ibaneis Rocha (MDB) no Distrito Federal.
Celina reconheceu dificuldades nas tratativas, mas disse que ainda aguarda retorno de interlocutores acionados para ajudar na construção de um diálogo institucional com o governo federal. A governadora citou, por exemplo, pedido de ajuda ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) para falar com Lula.
A crise do BRB ocorre em meio ao aprofundamento do desgaste político entre Celina e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), padrinho político da atual governadora.
Ibaneis demonstrou incômodo com o afastamento da sucessora e passou a sinalizar que o MDB poderá discutir outros caminhos para as eleições de outubro, sinalizando para um rompimento com Celina. Nos bastidores, o ex-governador avalia que, especialmente após a crise do BRB, Celina deixou de representar a continuidade do grupo político que comandou o DF nos últimos anos.
O Palácio do Planalto também desconfia de um eventual rompimento de Celina com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). Um distanciamento público entre ambos, na avaliação de auxiliares do governo, ajuda na narrativa da governadora de se distanciar da crise financeira do BRB.
Um dos interlocutores favoráveis a um encontro entre Lula e Celina foi o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Lula, porém, deixou claro em mais de uma conversa que pretende manter distância da governadora do Distrito Federal.
À CNN, Celina voltou a dizer que “sucessão jamais será submissão” e buscou distância do escândalo do Master.
“Não será mesmo um governo de continuidade. Se eu fosse a governadora, jamais teria um escândalo do Master.”, afirmou à CNN.
“Mandei todas as auditorias do BRB para a PF e para o MP”, declarou.
Apesar da crise política, Celina minimizou riscos de rompimento com o MDB, partido de Ibaneis.
“O MDB tem muito espaço. O MDB vira comigo. Acho que isso é uma posição muito dele”, declarou.

