Presa na manhã desta quinta-feira (21) em sua casa na Grande São Paulo, a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra deverá ser transferida para a cidade de Tupi Paulista, no interior paulista. A ação apura um esquema de lavagem de dinheiro da facção PCC (Primeiro Comando da Capital). A informação foi confirmada pela Polícia Civil à CNN Brasil.
A reportagem apurou que, até o momento, a advogada não prestou depoimento às autoridades. A Polícia Civil informou que a estratégia é analisar previamente todo o material apreendido durante o cumprimento dos mandados antes de ouvi-la oficialmente.
A ação de hoje foi coordenada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo).
“Caixa” do crime organizado e 35 empresas fantasmas
Durante uma coletiva de imprensa que detalhou os desdobramentos da operação, o MPSP revelou que Deolane funcionava como um “caixa” do crime organizado para a lavagem de dinheiro da alta cúpula do PCC.
Embora a investigação tenha começado a partir do vínculo da influenciadora com uma transportadora em Presidente Venceslau, os investigadores descobriram que ela mantinha ligações com diversos outros setores da organização.
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1 de 4Apenas da influenciadora foram apreendidos quatro carros • Reprodução/Redes sociais
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2 de 4Ao todo, estima-se o que os veículos juntos passam do valor de R$ 3 milhões de reais.
• Reprodução/Redes Sociais
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3 de 4Foram apreendidos uma Range Rover, um Escalade, um Jeep Limited e um Mercedes-AMG. • Reprodução/Redes Sociais
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4 de 4Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros da influenciadora • Reprodução/Redes Sociais
Operação que prendeu Deolane também tem Marcola e família como alvo
Para ocultar a origem ilícita dos valores milionários, a apuração aponta que Deolane chegou a abrir 35 empresas fantasmas, todas registradas em um mesmo endereço.
Entenda a prisão
Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, período em que teve seu nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que lidera as investigações contra o PCC, também está em Roma para um encontro de procuradores antimáfia e o plano original das autoridades era prender a influenciadora em solo europeu.
Contudo, a empresária antecipou seu retorno e desembarcou no Brasil na quarta-feira (20), véspera da deflagração da Operação Vérnix.
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1 de 5Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo
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2 de 5Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo
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3 de 5Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo
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4 de 5Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo
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5 de 5Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo
Segundo o MPSP, as autoridades optaram por não efetuar a prisão dela no aeroporto para não comprometer ou alertar os demais alvos dos mandados que seriam cumpridos na manhã de hoje.
A suspeita de que a operação pudesse ter vazado foi descartada pelos investigadores, uma vez que Deolane tinha um agendamento para a renovação de seu passaporte no Brasil programado exatamente para o dia da prisão.
Família se manifestou
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:
“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública…para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social. Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”
A CNN Brasil tenta localizar a defesa de todos os citados. O espaço está aberto para manifestações.
Influencer Deolane Bezerra é presa em operação contra o PCC em SP

