Vladimir Putin e Xi Jinping se reuniram em Pequim na terça-feira (19) e entre os principais temas debatidos pelos dois líderes está a construção de um gigantesco gasoduto que deve ligar a Sibéria, no norte da Rússia, até Xangai, na China, percorrendo 2.600 km de extensão.
Segundo o editor de Internacional Diego Pavão, a discussão sobre o projeto ocorre em um momento considerado estratégico. “A gente tem agora um mundo aprendendo que não pode ficar totalmente refém do transporte de gás e de petróleo por via marítima”, afirmou Pavão ao Live CNN desta terça-feira (20).
O contexto é marcado pelas tensões no Estreito de Ormuz, passagem que está praticamente bloqueada devido a tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, e que é fundamental para o abastecimento energético chinês.
“A China olha isso como uma oportunidade de garantir um fluxo de gás natural, que é muito usado na indústria, muito mais estável e muito mais seguro também. Estamos falando por um tubo que vai por terra, sem passar por nenhuma passagem que possa ficar à mercê de crises geopolíticas”, destacou Pavão.
Em termos de comparação com o fluxo que seria feito pelo gasoduto, o gás natural que a China compra do Catar é transportado por navios e precisa passar por um complexo processo de liquefação (mudança do estado gasoso para o estado líquido), sendo resfriado a -162ºC.
“Isso encarece muito [o processo] e torna a logística mais complicada. Não dá para transportar o gás natural na forma gasosa, isso exigiria um volume imenso, humanamente impossível”, observou.
O gasoduto, por sua vez, permitiria o transporte do gás em sua forma natural. “É um tubo que vai fluindo o gás por 2.600 km, passando pela Mongólia, chegando até Xangai, que é o coração da indústria chinesa“, explicou Diego Pavão.
O novo gasoduto, denominado “Poder da Sibéria 2”, partirá da península de Yamal, no extremo norte da Sibéria, próximo à região do Ártico. Com capacidade prevista de 50 bilhões de m³ por ano, o projeto supera o gasoduto já existente, o “Poder da Sibéria 1”, que fornece 38 bilhões de m³ anuais.
Para a Rússia, o negócio também é considerado altamente vantajoso. Desde o início da guerra na Ucrânia, a Europa deixou de comprar gás russo, e a explosão de dois gasodutos cortou ainda mais o fornecimento ao continente europeu.
“A Rússia tem a maior reserva de gás natural do mundo e precisa de alguém para vender”, ressaltou Diego Pavão. A China, por sua vez, enxerga no acordo uma oportunidade de garantir um fornecimento de energia mais estável e seguro. “É um bom negócio para os dois”, concluiu.

