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Enade das Licenciaturas: 42% se formam sem dominar conhecimentos básicos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Enade das Licenciaturas: 42% se formam sem dominar conhecimentos básicos

Quase metade dos estudantes de licenciatura no Brasil conclui o ensino superior sem o domínio de competências básicas para exercer a docência.

É o que revelam os números do Enade das Licenciaturas, em que 42% dos futuros educadores terminam a graduação sem os conhecimentos mínimos exigidos para a profissão. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (20) pelo MEC (Ministério da Educação).

Crise na formação docente

Esse diagnóstico de crise na formação docente coincide com um momento decisivo em Brasília: no próximo dia 23 de junho, o CNE (Conselho Nacional de Educação) votará as novas Diretrizes Nacionais Curriculares para a Formação Inicial Docente.

A proposta, atualmente em consulta pública, pretende flexibilizar as regras e reduzir a exigência de atividades presenciais para um piso de apenas 50%, estipulando ainda 20% de carga horária síncrona mediada por tecnologia.

A iminente decisão do CNE tem gerado forte contestação entre especialistas e entidades do setor. Para a ONG Todos Pela Educação, os novos dados do Enade expõem o risco de se aprofundar a precarização do ensino. “Reduzir a exigência de atividades presenciais (mínimo de 50% presencial e 20% síncrono mediado) justamente quando os dados mostram fragilidades na formação docente significa caminhar na direção oposta do que o país precisa”, afirma a ONG em nota.

De acordo com os indicadores do exame nacional, embora os estudantes ingressem na graduação motivados pela busca de uma carreira e por oportunidades de formação, muitos cursos não estão oferecendo a preparação necessária para o exercício real da docência.

Ainda de acordo com a ONG, esse cenário de abandono acadêmico ganha contornos ainda mais graves e alarmantes na modalidade de EAD (Ensino a Distância), que concentra os principais índices de fragilidade estrutural: A maioria dos futuros professores formados à distância termina o curso superior sem saber o básico para dar aula (53%).

 A crise pedagógica joga luz sobre as lacunas do modelo atual e sobre o que especialistas definem como a descaracterização do preparo de um educador. “A formação de professores difere de carreiras puramente técnicas e exige uma dinâmica que vai muito além da transmissão passiva de conteúdos ou da leitura isolada de textos em plataformas virtuais”, avalia a ONG.

Diante desse cenário, a votação no final de junho colocará em lados opostos a pressão pela expansão de vagas e o apelo por critérios rígidos de qualidade no ensino superior voltado à educação básica.

O Todos Pela Educação reforça que aprovar a redução das aulas presenciais no momento em que 42% dos formandos saem da faculdade sem saber o básico é ignorar o alerta emitido pelos dados oficiais do governo federal.

Ainda de acordo com os especialistas, o resultado do pleito no CNE definirá os rumos das políticas públicas educacionais brasileiras, definindo se o país adotará um modelo que atenua ou se consolidará uma estrutura que pode enfrentar o déficit de novos professores devidamente qualificados para enfrentar os desafios das escolas nos próximos anos.

O que é a Carteira Nacional Docente destinada a professores?

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