O funkeiro MC Ryan SP, que teve a prisão preventiva revogada nesta semana no âmbito da Operação Narco Fluxo, também enfrenta uma ação na Justiça de São Paulo por suposto inadimplemento contratual após o cancelamento de dois shows em Macaé, no interior do Rio de Janeiro.
Na ação, um empresário pede a rescisão do contrato firmado com o artista e uma empresa de eventos, além de indenização por danos materiais e morais. O valor total da causa é de R$ 261,9 mil.
Segundo a petição inicial obtida pela CNN Brasil, MC Ryan SP havia sido contratado para se apresentar em junho de 2025, por um cachê de R$ 70 mil. O empresário afirma que também desembolsou R$ 71,9 mil com estrutura, som, iluminação, decoração e logística para a realização do evento.
De acordo com o documento, poucas horas antes da apresentação, o cantor informou que não compareceria por problemas de saúde. O show teria sido remarcado, mas, segundo o autor da ação, a segunda apresentação também foi cancelada em cima da hora pela mesma justificativa.
Os advogados do empresário sustentam que os cancelamentos causaram prejuízos financeiros e abalaram sua credibilidade profissional como promotor de eventos. O documento afirma ainda que não houve reembolso dos valores gastos nem devolução do cachê pago.
Pedido de bloqueio de bens
Além da indenização, a ação pede tutela de urgência para bloqueio cautelar de R$ 141,9 mil em bens e valores dos réus por meio do SISBAJUD, sistema utilizado pelo Judiciário para rastreamento de ativos financeiros.
Os advogados alegam “inadimplemento contratual culposo” e afirmam que os cancelamentos sucessivos demonstrariam “desídia e falta de comprometimento” com o contrato firmado.
A peça também argumenta que os problemas de saúde alegados pelo artista não configurariam, necessariamente, caso fortuito ou força maior capazes de afastar responsabilidade contratual.
No entanto, segundo o autor da ação, o segundo evento também teria sido cancelado em cima da hora, novamente sob alegação de problemas de saúde. O empresário sustenta que precisou arcar mais uma vez com custos de produção e logística, sem receber reembolso.
Na ação, o empresário pede a rescisão do contrato por inadimplemento, além da devolução integral do cachê pago e indenização por danos materiais e morais. O documento estima os prejuízos materiais em R$ 211,9 mil, considerando o cachê, os gastos do primeiro evento e uma estimativa de despesas relacionadas ao segundo show.
O autor também solicita indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil, alegando prejuízo à imagem profissional e desgaste emocional diante do cancelamento das apresentações. Com o pedido de tutela de urgência para bloqueio cautelar de até R$ 141,9 mil, ao processo foi atribuído o valor total de R$ 261,9 mil pelo autor.
A CNN Brasil solicitou um posicionamento à defesa de MC Ryan e aguarda um retorno. O espaço está aberto para uma manifestação.
Investigação da PF
A prisão de MC Ryan SP ocorreu no âmbito da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado no setor do entretenimento.
Não obstante, a Justiça Federal determinou, nessa quarta-feira (13), a revogação da prisão preventiva de MC Ryan SP e a consequente soltura do funkeiro. Ele saiu da prisão nesta quinta-feira (14).
De acordo com a corporação, o esquema utilizava artistas, influenciadores digitais e empresas de fachada para “blindar” transações financeiras e dar aparência de legalidade a valores de origem ilícita.
A investigação aponta três principais mecanismos usados pelo grupo:
- Pulverização de recursos: inserção de dinheiro sem origem comprovada por meio da venda de ingressos, produtos e ativos digitais;
- Dissimulação financeira: uso de criptomoedas, dinheiro em espécie e transferências fracionadas para dificultar o rastreamento;
- Interposição de terceiros: utilização de familiares, laranjas e empresas para ocultar os verdadeiros donos dos valores.
Segundo a Polícia Federal, o grupo teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos. A corporação estima que o esquema possa ter alcançado até R$ 260 bilhões.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal. A PF também apreendeu veículos de luxo, joias, relógios, dinheiro em espécie e determinou o bloqueio de ativos financeiros e contas em corretoras de criptomoedas.

