Em visita ao Hospital do Amor, em Barretos, no interior de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez menção ao escândalo envolvendo o Banco Master. Segundo o petista, o hospital não conta com o dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco.
“Esse país precisa voltar a ser humano. É preciso extirpar o ódio. Aqui, nesse hospital aqui, não tem dinheiro do Vorcaro“, declarou o chefe do Executivo nesta sexta-feira (15), durante evento de entregas realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no Hospital do Amor.
A fala de Lula se dá dois dias depois de vir a público a informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato e até agora seu maior adversário na corrida presidencial, pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para fazer o filme biográfico de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração se deu após o petista voltar a criticar o uso de IA (inteligência artificial) na campanha eleitoral. O presidente disse que a tecnologia não deveria ser proibida apenas nos dias próximos da eleição, mas durante toda a disputa.
“É preciso que a gente tome cuidado, porque tem muita gente mentindo nesse país”, destacou.
Durante o seu discurso, Lula também fez menção ao escândalo do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O instituto foi alvo de esquema que desviava repasses dos benefícios pagos a aposentados e pensionistas.
O presidente contou que o presidente do Hospital do Amor, Henrique Prata, uma vez lhe deu um cavalo, mas que ele não tinha onde colocar o animal: “Eu falei: ‘Toma conta do meu cavalo’. O meu cavalo está aposentado. Eu tenho medo que o meu cavalo, que estava aposentado, foi roubado por essa quadrilha que roubava aposentado”, brincou.
Além do Banco Master, que passou a ser investigado durante o seu governo, o caso envolvendo o INSS também trouxe desgastes a Lula. Isso porque Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente conhecido como “Lulinha”, é citado nas investigações.
Embora Lula não tenha sido citado nominalmente como envolvido nas investigações, a avaliação do Palácio do Planalto é de que os casos têm caído na “conta” do presidente, já que vieram a público durante a gestão petista.
Áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, negociou um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As informações foram divulgadas pelo Intercept Brasil na quarta (13).
Os recursos seriam destinados à produção do longa “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Vorcaro está preso na Superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília, desde março deste ano. O empresário é acusado de um esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Master e de chefiar uma organização criminosa para intimidar concorrentes, ex-empregados e até mesmo jornalistas.
Em Brasília, o banqueiro construiu uma teia de relações com autoridades e políticos. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal); e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP (Progressistas) e ex-ministro de Bolsonaro estão entre alguns dos nomes citados.
Desde que o caso veio à tona, Flávio vinha se manifestando pela investigação de “todo mundo” que tinha possível envolvimento com Vorcaro. Até o momento, a estratégia utilizada pelo senador era a de conectar o caso Master ao governo Lula.
Visita ao Hospital do Amor
Lula visitou o Hospital de Amor, em Barretos, em São Paulo, nesta sexta (15). O presidente estava acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva; do vice-presidente, Geraldo Alckmin; e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
No evento, Lula anunciou entregas realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para ampliar o acesso da população aos tratamentos contra o câncer.
Segundo o governo federal, a iniciativa contou com o investimento de R$ 2,2 bilhões. Entre as principais inovações estão a criação da nova tabela de financiamento do SUS para a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo e o financiamento de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública, além de ampliar o acesso à cirurgia de reconstrução mamária.

