A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco preocupou o setor pecuário do Brasil e movimentou associações a se posicionarem contra o documento dos europeus. Isso porque a UE é, hoje, o segundo principal destino das carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, e movimentou em 2025 US$ 1,8 bilhão em compras de proteína animal.
Os dados são da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura, e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor de 2025 importado pelo bloco europeu representou a compra de 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros.
Segundo o diretor do Athenagro, Maurício Nogueira, o setor poderia perder de 5% a 6% do valor de referência de 2025, mas que isso não deve acontecer, porque o setor braileiro é “organizado e preparado” para comprovações regulatórias que estão sendo exigidas pela UE.
Ele frisou que a listagem europeia evidencia um tom político e que, até setembro, a situação já estará resolvida e não impactará as exportações do Brasil para os membros da UE.
Entre os principais produtos exportados está a carne bovina. Apenas neste segmento, o Brasil arrecadou US$ 1,048 bilhão com vendas para os europeus em 2025, em um volume de 128 mil toneladas embarcadas. A União Europeia representa o terceiro maior mercado da carne bovina brasileira, atrás de China e Estados Unidos.
As exportações de carne de frango também têm peso relevante na relação comercial. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas para o bloco europeu somaram US$ 762 milhões no ano passado, com embarques de 230 mil toneladas.
Outros produtos do agronegócio brasileiro também podem ser afetados pela medida. O mel, por exemplo, registrou exportações de US$ 6 milhões para a União Europeia em 2025, com volume de cerca de mil toneladas. A ABPA informou ainda que o Brasil atualmente não exporta carne suína para a União Europeia.
