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Policiais usavam email falso e citavam “trampo” para extorsões em SP

Radar Olhar Aguçado(há 41 minutos)
Policiais usavam email falso e citavam “trampo” para extorsões em SP

Os quatro policiais civis presos por extorsão em São Paulo, nesta terça-feira (12), usavam um e-mail falso com aparência institucional e chegaram a sugerir um “trampo” para que uma das vítimas conseguisse pagar o valor exigido pelo grupo, segundo investigação da Corregedoria da Polícia Civil e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público. 

A “Operação Quina”, deflagrada nesta terça-feira, mirou policiais civis suspeitos de integrarem um esquema de extorsão qualificada e associação criminosa armada.

De acordo com o inquérito policial, obtido pela CNN Brasil, um dos agentes investigados chegou a orientar que as vítimas, Fabio Oliveira Silva e o primo Eder Wilson de Jesus Silva, realizem um “trampo” para levantar o restante do dinheiro cobrado na extorsão, conforme depoimento dos homens. Fabio chegou a penhorar um carro para quitar o valor.

Os policiais são suspeitos de extorquir, mediante sequestro, cerca de R$ 1 milhão das vítimas.

Enquanto exigia a quantia, um dos agentes afirma ter um rastreador para instalar em uma carreta e diz que poderia executar a ação em outra delegacia porqueconhece todo mundo”. Além disso, o documento aponta o uso de um e-mail falso para negociar detalhes do pagamento da propina.

Segundo o inquérito, os policiais utilizavam a conta em aplicativos de mensagem para tratar diretamente das cobranças feitas às vítimas.

Leia também: Seis policiais acusados de extorquir membros do PCC são condenados em SP

Extorsão milionária e operação

Os policiais civis presos durante a “Operação Quina”, nesta terça-feira (12), teriam extorquido cerca de R$ 1 milhão de um dos suspeitos de envolvimento no sequestro da mãe do jogador de futebol Robinho, em 2004.

Segundo fontes ligadas a investigação, Fabio Oliveira Silva é apontado como um dos possíveis suspeitos no sequestro de Marina de Souzamãe de Robinho, na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo.

Segundo o inquérito policial, Fabio relatou que foi preso ilegalmente por agentes da Dise (Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes) de Carapicuíba, em abril deste ano, após policiais invadirem sua residência sem mandado judicial.

A vítima afirmou que os agentes disseram que “a ideia agora é outra” e ameaçaram forjar um flagrante com um quilo de drogas caso ele não colaborasse. A partir daí, segundo o depoimento, os policiais passaram a exigir R$ 1 milhão para não efetuar a prisão.

Ainda conforme a investigação, Fabio foi levado à sede da Dise, mas permaneceu em uma sala reservada no andar superior da unidade, equipada com sofá, televisão e fechadura digital, em vez de ser encaminhado a uma cela comum.

Enquanto ele permanecia detido, o primo, Eder Wilson de Jesus Silva, negociava a libertação com os agentes. Segundo o inquérito, o familiar conseguiu reunir R$ 303 mil — incluindo empréstimos com agiotas — e entregou a quantia aos policiais em uma padaria de Barueri, na Grande São Paulo.

Mesmo após o pagamento, os investigadores afirmam que os agentes consideraram o valor insuficiente e estabeleceram um prazo de um mês para o pagamento total. Os policiais chegaram a elaborar um tipo de “carnê” manuscrito com parcelas de R$ 197 mil e outras duas de R$ 250 mil. Fabio foi liberado após permanecer cerca de dez horas detido na sala da delegacia.

Em nota, o Ministério Público de São Paulo informou que a vítima relatou uma cobrança inicial de R$ 1 milhão, posteriormente reduzida para R$ 500 mil durante as negociações conduzidas por um dos policiais investigados. O órgão ressaltou que ainda não há denúncia formal apresentada, já que o caso segue em investigação.

Segundo o MPSP, as apurações tiveram início após denúncias de que policiais utilizavam a função pública para ameaçar vítimas, restringir sua liberdade e exigir grandes quantias em dinheiro sob ameaça de flagrantes forjados.

Veja: Operação mira policiais por crimes de extorsão em São Paulo

Durante a operação desta terça, foram cumpridos mandados de prisão temporária, busca e apreensão e medidas patrimoniais em endereços residenciais e unidades policiais. Equipamentos eletrônicos, documentos e outros materiais foram apreendidos para auxiliar no avanço das investigações.

Em nota, a Corregedoria da Polícia Civil afirmou que a operação reforça “o compromisso da instituição com a legalidade, a transparência e o combate rigoroso a eventuais desvios de conduta”.

CNN Brasil tenta contato com as defesas de Fábio e Eder para um posicionamento. O espaço está aberto.

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