Os policiais civis presos durante a “Operação Quina”, deflagrada pela Corregedoria Geral da Polícia Civil em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) nesta terça-feira (12), teriam extorquido cerca de R$ 1 milhão de um dos suspeitos de envolvimento no sequestro da mãe do jogador de futebol Robinho, em 2004.
Segundo fontes ligadas a investigação, Fabio Oliveira Silva é apontado como um dos possíveis suspeitos no sequestro de Marina de Souza, mãe de Robinho, na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo.
Após uma longa negociação, a mãe do então jogador do Santos só foi liberada em 17 de dezembro daquele ano, em Perus, bairro da Zona Norte da capital.
De acordo com o inquérito policial, Fabio foi uma das vítimas dos crimes praticados por policiais civis em abril de 2026. Em depoimento, o homem alega que foi preso ilegalmente por agentes da Dise (Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes) de Carapicuíba, que invadiram sua residência sem mandado judicial.
Fabio afirma que os agentes passaram a dizer que “agora a ideia é outra”, afirmando que tinham um quilo de drogas e que iriam forjar flagrante caso ele não colaborasse. A partir daí, conforme o relato, os policiais iniciaram a exigência de R$ 1 milhão para não prendê-lo.
Segundo consta no inquérito policial, a vítima foi levada à Dise — mas não para uma cela comum. O documento aponta que Fabio foi conduzido à uma sala no andar superior do local, equipada com sofá, TV e fechadura digital.
Enquanto Fabio estava preso, seu primo, Eder Wilson de Jesus Silva, negociava sua liberdade com um dos policiais. O familiar conseguiu juntar R$ 303 mil (inclusive recorrendo a agiotas) e entregou a quantia aos agentes civis em uma padaria de Barueri, na região Metropolitana de São Paulo.
Após a entrega, os policiais alegaram que a quantia oferecida estava incorreta e cederam um prazo de um mês para a entrega do valor de R$ 1 milhão. Para isso, os agentes elaboraram uma espécie de “carnê” manuscrito para Fabio e Eder, com parcelas de R$ 197 mil a serem pagos em 10 dias, além de duas parcelas de R$ 250 mil subsequentes.
Fabio foi liberado após permanecer dez horas preso na sala especial da Dise.
Em nota, o Ministério Público afirmou que a vítima narrou que teria sido exigido, inicialmente, o valor de R$ 1 milhão, mas que depois as negociações teriam sido conduzidas para o valor de R$ 500 mil, por parte de um dos policiais civis investigados. Segundo o órgão, não há denúncia ainda, pois os fatos ainda estão sob investigação.
A CNN Brasil tenta contato com as defesas de Fábio e Eder para um posicionamento. O espaço está aberto.
Operação Quina
Uma operação da Corregedoria Geral da Polícia Civil em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) mirou policiais após denúnciais de crimes de extorsão em São Paulo. Quatro policiais civis foram presos na “Operação Quina”, que ocorreu na manhã desta terça-feira (12).
Foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços residenciais e unidades policiais. Também foram cumpridas medidas patrimoniais expedidas pela Justiça na investigação sobre crimes de extorsão qualificada e associação criminosa armada.
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) aponta que as investigações começaram após denúncias de que pessoas usavam a condição de policiais para constranger vítimas mediante grave ameaça e restrição de liberdade, além da exigência de “expressiva quantia em dinheiro para evitar suposto flagrante forjado.”
Ainda de acordo com o órgão, foram reunidos elementos probatórios consistentes como depoimentos, reconhecimentos pessoais, registros telemáticos, mensagens eletrônicas e análises investigativas. As apurações sustentaram a representação à Justiça.
Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que devem auxiliar nas apurações.
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“A instituição ressalta que a atuação reforça o compromisso da Polícia Civil com a legalidade, a transparência e o combate rigoroso a eventuais desvios de conduta, preservando a credibilidade da corporação e o devido processo legal”, afirma a Corregedoria.

