O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã não aceitará que os Estados Unidos imponham sua vontade ao país em um momento de alta tensão, após Washington rejeitar as últimas propostas do país para pôr fim ao conflito.
Em entrevista exclusiva ao canal indiano TV Today, em Teerã, Baghaei afirmou que as negociações exigem “concessões mútuas” e criticou os EUA por imporem “exigências maximalistas”. Mas, acrescentou que “receberemos uma avaliação mais detalhada da situação por meio de mediadores paquistaneses”.
A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, também disse na emissora SNN que “Teerã mantém o dedo no gatilho, mas seu foco permanece na paz e na diplomacia”.
Os comentários surgiram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que um cessar-fogo com o Irã estava “por um fio”, destacando o quão distantes os dois lados ainda estão.
Os Estados Unidos pressionaram pelo fim das hostilidades antes de abordar questões mais amplas, incluindo o programa nuclear iraniano, enquanto Teerã pediu o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano, onde Israel, aliado dos EUA, luta contra militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã.
Teerã também exigiu indenização pelos danos de guerra, o fim do bloqueio naval dos EUA, uma garantia de que não haverá mais ataques e a retomada das vendas de petróleo iraniano.
Ele alertou que a falta de uma solução pacífica e negociada só agravaria a situação no Estreito de Ormuz, o que, segundo ele, teria consequências terríveis para as economias mundiais, afirmando que os EUA e Israel deveriam ser responsabilizados “por toda a comunidade internacional pelo que começaram e continuam fazendo”.
A hidrovia, que outrora transportava um quinto das remessas globais de petróleo e gás, tornou-se um ponto crítico no conflito, com o tráfego drasticamente reduzido.
O Irã enfatizou sua soberania sobre o estreito e culpou Washington e Israel pelo aumento das tensões que perturbaram os mercados globais de energia.

