A Azzas 2154 afirmou nesta terça-feira (12) que foi surpreendida pela existência de um pedido judicial do acionista Roberto Jatahy referente à gestão da unidade de moda masculina da companhia, acrescentando que, nos termos do estatuto social, compete ao presidente-executivo da empresa decidir sobre a marca.
“A companhia buscará acesso às informações pertinentes relacionadas à referida ação e tomará medidas que sejam aplicáveis”, afirmou a Azzas 2154 em comunicado ao mercado, acrescentando que não são esperadas repercussões para a operação da empresa.
A Azzas 2154 também afirmou que o assunto é regulado em acordo de acionistas da companhia, segundo o qual Jatahy detém direitos sobre a unidade de negócios de vestuário feminino. A Reserva está sob a unidade de vestuário masculina.
Mais cedo, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou que Jatahy ingressou com uma ação cautelar para impedir a desintegração da marca Reserva da unidade de negócios sob seu comando.
Embora um dos sócios da Azzas 2154 tenha recorrido à Justiça, uma pessoa próxima à companhia disse que a ação cautelar, já deferida, não tem como objetivo cindir a empresa, criada em 2024, a partir da fusão entre Arezzo & Co e Grupo Soma. O objetivo, disse a fonte, é proteger seus acionistas da perda de valor decorrente da eventual desintegração de uma das marcas.
A mesma pessoa disse que os dois sócios, Jatahy e Alexandre Birman, não conversaram depois da medida judicial e devem se encontrar em reunião de conselho de administração prevista para a próxima semana.
Analistas do JPMorgan destacaram que, embora não tenham todos os detalhes sobre o processo, a notícia de desentendimento traz novamente à tona possíveis disputas internas e divergências entre os dois principais acionistas da empresa.
“Embora a situação parecesse relativamente pacificada internamente, abrindo espaço para o fortalecimento da execução e a extração de sinergias, a notícia de hoje sustenta uma postura mais conservadora em relação à recuperação de resultados e à trajetória de melhora, uma vez que questões de governança interna podem estar impedindo mudanças”, afirmou a equipe liderada pelo analista Joseph Giordano em relatório a clientes.
Em abril, presidente da então unidade de “Fashion & Lifestyle”, Ruy Kameyama, decidiu sair da companhia, desencadeando mudanças em sua estrutura organizacional, com a divisão passando a ter comandos separados para os segmentos feminino e masculino.
Na ocasião da saída de Kameyama, analistas do Santander destacaram que ele era o nono executivo do alto escalão da companhia a deixar a empresa nos últimos anos e que o movimento reforçou preocupação sobre a reestruturação da alta administração.

