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Construção civil: educação no trabalho amplia qualificação

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Construção civil: educação no trabalho amplia qualificação

Como a educação pode transformar a realidade dos trabalhadores da construção civil?

A educação básica ainda é um desafio para parte dos trabalhadores da construção civil no Brasil. Segundo especialistas em desenvolvimento social, iniciativas que levam ensino para dentro do ambiente de trabalho têm potencial direto de transformação, ao ampliar oportunidades e reduzir desigualdades.

Na MRV, maior construtora da América Latina, essa estratégia se materializa no programa Escola Nota 10, criado em 2011. Com gestão do Time de Sustentabilidade, apoio operacional do Instituto MRV&CO e, desde 2022, parceria com o Alicerce Educação, a iniciativa leva alfabetização e reforço escolar para dentro dos canteiros de obras e já ajudou mais de sete mil profissionais da construção civil a complementarem sua formação básica. 

Entre os principais impactos observados estão:

  • Aumento da autoestima dos trabalhadores
  • Ampliação das oportunidades de crescimento profissional
  • Redução do déficit educacional
  • Maior engajamento e produtividade no trabalho

Como funciona a alfabetização nos canteiros de obra?

O programa leva salas de aula para os canteiros, transformando o ambiente de trabalho também em espaço de aprendizagem. As aulas são ministradas por professores qualificados e adaptadas à rotina dos colaboradores, dentro do seu horário de trabalho.

O modelo inclui:

  • Aulas presenciais de português e matemática
  • Conteúdo voltado à alfabetização e ensino básico
  • Ensino durante o expediente, sem prejudicar a jornada de trabalho
  • Complemento com aulas online

Atualmente, a MRV já implantou 319 unidades de ensino em todo o país, com investimentos da ordem de R$ 8 milhões no programa. Hoje, são 31 salas de aula em operação em diferentes cidades.

Quais resultados o programa já alcançou?

Desde sua criação, o programa Escola Nota 10 já transformou as vidas de  milhares de trabalhadores da construção civil, consolidando-se como uma ferramenta relevante de inclusão educacional. 

Entre 2023 e 2025, a MRV liderou, entre empresas, o número de inscritos no Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), com 239 colaboradores.

O exame permite a certificação do ensino fundamental e médio, ampliando as possibilidades de crescimento profissional.

Por que estudar durante o trabalho faz diferença?

A oferta de educação no próprio local de trabalho reduz barreiras comuns, como falta de tempo, deslocamento e custos. Segundo Raphael Lafetá, diretor executivo de sustentabilidade e relações institucionais da MRV&CO, esse formato permite que o colaborador avance nos estudos sem abrir mão da renda ou da rotina familiar.

“Os alunos têm acesso a aulas estruturadas, com conteúdo voltado à alfabetização e ao reforço em disciplinas fundamentais, dentro de uma rotina adaptada à realidade do ambiente de trabalho. Isso permite que avancem na formação escolar sem precisar interromper o serviço ou comprometer a vida pessoal. A iniciativa promove inclusão, amplia horizontes e fortalece a autoestima dos participantes”, afirma.

Histórias que mostram impacto na prática

Os resultados do programa também aparecem nas trajetórias individuais de trabalhadores que retomaram os estudos e passaram a enxergar novas possibilidades profissionais.

No canteiro de obras do empreendimento Sensia Barra, no Rio de Janeiro, o servente Júlio de Jesus Rocha, de 32 anos, é um dos exemplos. Ele voltou a estudar após interromper a formação e já tentou a certificação pelo Encceja. Mesmo tendo ficado a poucos pontos da aprovação em matemática, segue determinado: está se preparando para uma nova prova do Encceja, quer concluir o ensino básico e laneja iniciar um curso na área administrativa, em busca de crescer profissionalmente dentro da empresa. “Quero melhorar meu desempenho e conquistar o certificado para ter mais oportunidades”, afirma.

O programa Escola Nota 10 já ajudou mais de sete mil trabalhadores a avançar na formação escolar • MRV/Divulgação

Outra história é a de Natasha, de 34 anos, mãe solo de quatro filhas. Ela interrompeu os estudos ainda na adolescência e retomou a formação por meio do programa. Hoje, atua como meio oficial de encanadora, após crescer profissionalmente dentro da MRV. Entre os objetivos dela estão concluir os estudos básicos; avançar na carreira na área de hidráulica e garantir melhores condições de vida para a família. E o principal: servir de exemplo para as filhas. “Sei que conquistar esse certificado vai me ajudar a ter uma vida melhor e continuar evoluindo”, relata.

Histórias como essas mostram como o acesso à educação no ambiente de trabalho pode ir além da qualificação técnica, impactando diretamente a autoestima, os planos de futuro e a mobilidade social dos trabalhadores.

Por que a educação é estratégica para o setor?

Para além do impacto individual, iniciativas como o Escola Nota 10 da MRV mostram que investir em educação também fortalece o setor da construção civil como um todo. Entre os ganhos estruturais estão:

  • Mão de obra mais qualificada
  • Redução de erros operacionais
  • Aumento da produtividade
  • Desenvolvimento social nas regiões onde as obras estão inseridas

A educação, nesse contexto, deixa de ser apenas um benefício e passa a ser um instrumento estratégico de transformação econômica e social.

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