Em meio à reação ao possível aumento de 19,2% na conta de luz no Paraná, o CEO da Copel, Daniel Slaviero, culpou os subsídios do setor elétrico, especialmente os ligados à energia solar, pela pressão sobre as tarifas dos consumidores.
Segundo ele, a expansão dos incentivos concedidos à geração distribuída passou a ter peso crescente sobre a conta de luz no país e distorce o modelo tarifário brasileiro. “A dona Maria está pagando o custo da geração distribuída dos consumidores mais abastados”, afirmou Slaviero em entrevista exclusiva à CNN.
A declaração ocorre em meio à consulta pública aberta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para discutir a Revisão Tarifária Periódica da Copel que prevê aumento médio preliminar de 19,2% para os consumidores paranaenses a partir de junho de 2026. O índice ainda depende de homologação final da agência reguladora.
O próprio processo tarifário da Aneel aponta que os encargos setoriais estão entre os principais fatores de pressão sobre a revisão. O documento destaca especialmente os impactos relacionados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e às mudanças promovidas pela Lei nº 15.269/2025, que redistribuiu custos ligados à geração distribuída entre consumidores do mercado cativo e livre.
Segundo dados da Aneel, os subsídios destinados à geração distribuída superaram R$ 16 bilhões em 2025. O executivo também afirmou que a Copel atuou para reduzir o impacto tarifário inicialmente calculado pela Aneel.
“O valor calculado na Aneel inicialmente era de 26,71% e a Copel voluntariamente pediu um diferimento e o valor reduziu para 19,2% para que isso possa ser diluído nos próximos anos para mitigar uma alta em um ano em que o poder aquisitivo das famílias não está o mais favorável”, disse.
Slaviero lembrou que as distribuidoras de energia funcionam como arrecadadoras de diversos custos do sistema elétrico brasileiro. Segundo ele, de cada R$ 10 pagos na conta de luz, apenas R$ 2 ficam com as concessionárias. A diferença é destinada ao pagamento de compra de energia, transmissão, encargos setoriais e subsídios definidos pelo governo federal.
A consulta pública da revisão tarifária segue aberta até 22 de maio, com reunião presencial prevista em Curitiba no dia 29 de abril.
