O setor de máquinas e equipamentos apurou queda na receita líquida de março sobre o mesmo mês do ano passado, encerrando o primeiro trimestre com recuo de dois dígitos frente aos três primeiros meses de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (29) pela associação de fabricantes Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
O faturamento do setor em março somou R$ 23,8 bilhões, caindo 3,4% na comparação anual. No trimestre, recuou 11%, para R$ 61,7 bilhões.
Com o resultado do trimestre, a entidade estima alta de 0,3% na receita este ano, “mas com viés de baixa”, disse Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, em entrevista a jornalistas.
O desempenho do setor ocorreu com queda nas vendas no Brasil, onde a receita líquida recuou 0,9% no mês e 12,6% no trimestre, em meio a um crescimento de 21,4% nas importações do mês passado, que subiram 4,2% no acumulado do trimestre.
A indústria brasileira de máquinas encerrou março com ocupação de capacidade instalada de 79,9% ante 77,6% no mesmo mês de 2025. A carteira de pedidos do mês subiu ante fevereiro para 9 semanas, mas caiu 1,5% sobre o nível do ano passado.
No trimestre, o setor amargou uma queda de 5,2% na carteira de pedidos ante o registrado em 2025. Segundo a Abimaq, isso significa que “as receitas líquidas de vendas tendem a permanecer enfraquecidas ao longo de 2026”.
Já as exportações de máquinas e equipamentos brasileiros ficaram praticamente estáveis em março sobre um ano antes, a US$ 1,03 bilhão, mas subiram 7,5% no trimestre, a US$ 2,9 bilhões.
Segundo a entidade, as vendas aos Estados Unidos no primeiro trimestre somaram US$709 milhões, avançando sobre os US$ 631 milhões dos três primeiros meses do ano passado, apesar da elevação da tarifa de importação dos EUA em 50 pontos.
Mas na comparação com o quarto trimestre de 2025, as exportações de máquinas e equipamentos do Brasil aos EUA nos três primeiros meses de 2026 caíram 10,5%, pressionadas por recuos de 32% em máquinas para agricultura, 16% em componentes e de 13,5% para logística e construção civil.
Com isso, a participação das vendas aos EUA, principal destino das exportações do setor, no trimestre passado foi de 24,3% ante 23,3% no consolidado do ano passado e pico de 29,3% em 2023, segundo os dados da Abimaq.
Segundo Zanella, o crescimento da fatia dos EUA se deu sobre uma base bastante reduzida, uma vez que o desempenho da economia norte-americana no ano passado foi fraco, pesando sobre as compras de máquinas e equipamentos.
“O desempenho (no geral das exportações aos EUA) mantém a desaceleração”, desde a imposição das tarifas contra o Brasil, afirmou, citando que o percentual de março “foi bastante baixo”, a 21%.
Atualmente, as tarifas de importação dos EUA que incidem sobre a maioria do setor de máquinas e equipamentos do Brasil são de 10%, após decisão da Suprema Corte do país, no final de fevereiro, que derrubou as sobretaxas abrangentes aplicadas pelo presidente Donald Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.
Mas a preocupação do setor agora é sobre a posição de Trump de lançar uma investigação para analisar práticas comerciais do Brasil com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana, algo que, segundo a Abimaq, deve ser concluído em julho com possível imposição de novas penalidades aos exportadores brasileiros.

