A Rússia planeja permanecer na Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) apesar da decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair, disse o Kremlin nesta quarta-feira (29), expressando esperança de que a aliança de produtores de petróleo continue a operar em meio à turbulência no mercado global de energia.
Os Emirados Árabes Unidos disseram na terça-feira que deixariam a Opep, desferindo um golpe no grupo, uma vez que a crise energética desencadeada pela guerra com o Irã expôs as divisões entre as nações do Golfo Pérsico.
Os Emirados Árabes Unidos eram o quarto maior produtor do grupo Opep+, enquanto a Rússia é o segundo, atrás da Arábia Saudita.
Opep+ ajuda a “minimizar as flutuações”
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Opep+ continua sendo uma organização importante, especialmente durante a atual turbulência nos mercados globais.
“Esse formato ajuda a minimizar substancialmente, digamos, as flutuações nos mercados de energia e possibilita a estabilização desses mercados”, disse Peskov em um briefing diário.
Peskov disse que a Rússia respeitou a decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair, no entanto, e esperava que o diálogo energético de Moscou com o Estado do Golfo continuasse.
A Rússia entrou para a Opep+ em 2016. O grupo produziu quase metade do petróleo e dos líquidos de petróleo do mundo no ano passado, de acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia.
Posteriormente, Peskov disse que os Emirados Árabes Unidos não haviam avisado Moscou com antecedência sobre seu plano de se retirar da Opep+.
“Não, eles não nos avisaram. Essa é uma decisão soberana dos Emirados Árabes Unidos. Respeitamos essa decisão”, disse ele, segundo a agência de notícias estatal RIA.
Teme-se uma coordenação mais fraca da Opep
O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, disse na quarta-feira que a decisão dos Emirados Árabes Unidos poderia fazer com que os países aumentassem a produção, derrubando os preços globais no futuro.
“Se os países da Opep conduzirem suas políticas de forma descoordenada (após a saída dos Emirados Árabes Unidos) e produzirem tanto petróleo quanto suas capacidades de produção permitirem e quanto desejarem, os preços cairão na mesma proporção”, disse Siluanov.
Por enquanto, os preços do petróleo foram sustentados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, disse ele, e qualquer excesso de oferta só se tornaria um risco após a reabertura do estreito.
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