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BC mantém tom cauteloso diante de cenário incerto, diz Rafaela Vitória

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
BC mantém tom cauteloso diante de cenário incerto, diz Rafaela Vitória

O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu pela segunda vez consecutiva a taxa básica de juros brasileira em 0,25 ponto percentual, decisão que foi recebida com poucas surpresas pelo mercado nesta quarta-feira (29).

Em entrevista ao CNN Money, Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, afirmou que o comunicado trouxe mudanças mínimas em relação à reunião anterior, mantendo o tom cauteloso do comitê diante de um cenário ainda incerto.

Segundo a especialista, a decisão ficou “muito em linha com o esperado” e os próximos passos do processo de flexibilização monetária, denominado pelo próprio Copom de “calibração”, seguirão dependendo da evolução do cenário.

“A gente vê um novo corte de 0,25 para a próxima reunião em junho”, afirmou.

A economista descartou, por ora, a possibilidade de uma aceleração no ritmo de reduções para 0,5 ponto percentual. Entre os fatores que justificam a cautela, ela destacou o preço elevado do petróleo e a ausência de uma solução de curto prazo para o conflito que pressiona as cotações.

“Mesmo que a gente tenha uma surpresa de uma solução, vai levar tempo para que a logística seja retomada e os preços possam ceder”, ponderou.

Vitória também alertou para o risco de uma pausa nos cortes, caso a inflação se torne mais generalizada, impulsionada por uma reaceleração da demanda doméstica.

A economista ainda ressaltou que a manutenção de uma política monetária restritiva por um período prolongado já se reflete em diversos setores da economia.

“A atividade vai continuar desacelerando”, afirmou, acrescentando que os sinais de recuperação observados no início do ano tendem a ser pontuais.

A economista também mencionou o aumento de recuperações judiciais e extrajudiciais entre empresas, além do pico de inadimplência nas famílias, como evidências do impacto dos juros elevados.

“A gente tende a ver uma atividade ainda sendo impactada por essa taxa que está muito elevada há bastante tempo”, disse.

Juros de um dígito dependem do ajuste fiscal

Sobre a possibilidade de a Selic atingir um dígito, Rafaela Vitória afirmou que o cenário é “totalmente viável” e “não é impossível”, mas está condicionado a avanços na política fiscal.

Para ela, a principal barreira é o crescimento acelerado dos gastos públicos.

“Para que a gente possa chegar numa taxa de juros de um dígito, a gente precisa ter uma visibilidade maior sobre o ajuste fiscal, um ajuste fiscal mais crível”, declarou.

A economista defendeu que um controle do crescimento de gastos seria suficiente para permitir uma convergência da inflação para a meta, citando como referência o período entre 2016 e 2022, quando vigorava a política de teto de gastos.

Ao analisar os fatores domésticos, Rafaela Vitória apontou um acúmulo de medidas de estímulo à economia como um elemento de risco para a trajetória da inflação.

Entre elas, citou programas de crédito, transferências de renda, antecipação do pagamento de precatórios — que em geral ocorre em junho e agosto, mas foi antecipada para março — e os precatórios do INSS previstos para abril.

“O acúmulo desses programas que fazem com que a renda do brasileiro temporariamente fique maior pode sim impulsionar um pouco mais a demanda e pressionar a inflação”, avaliou.

Sobre o programa Desenrola, a economista considerou que seu impacto imediato é limitado, devendo se materializar apenas no segundo semestre.

Câmbio mais favorável, mas com ressalvas

Em relação ao câmbio, a economista apontou fatores que têm contribuído para um real mais valorizado, como a balança comercial robusta, os termos de troca favoráveis e a atratividade do Brasil como produtor e exportador de combustíveis e alimentos em um contexto de crise global.

No entanto, a economista fez ressalvas, destacando que uma eventual manutenção dos juros nos Estados Unidos acima do esperado poderia fortalecer o dólar e pressionar o real.

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