jUm agente do Serviço Secreto viu um suspeito armado com uma espingarda disparar sua arma em direção às escadas que levavam a um salão de hotel onde o presidente Donald Trump, membros de seu gabinete e alguns dos principais jornalistas do país estavam reunidos no sábado (24) para o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, alegaram os promotores federais em um novo registro judicial na quarta-feira (29).
O registro, que expôs o argumento dos promotores para manter o suspeito Cole Thomas Allen em custódia enquanto aguarda o julgamento, forneceu uma linha do tempo mais detalhada do tiroteio do que o conhecido anteriormente, além de um relato minucioso do armamento que ele havia acumulado.
Os promotores argumentaram que não havia “nenhuma combinação de condições que pudesse garantir razoavelmente a segurança da comunidade” caso o suspeito fosse liberado, apontando suas extensas preparações e a possibilidade, evitada pela “sorte”, de que ele poderia ter matado pessoas e causado danos graves.
Eles chamaram o plano dele de “violência política extrema”.
“O comportamento do réu, ao escolher suas vítimas, demonstra a natureza profundamente perigosa de suas ações”, escreveram os promotores. “Tentativa de homicídio é sempre um crime grave, mas quando a vítima pretendida é o presidente dos Estados Unidos, além de outros membros de alto escalão do governo dos EUA, as consequências potenciais são imensuráveis.”
Mais tarde, no mesmo dia, os advogados de Allen reclamaram em um registro judicial para o juiz responsável pelo caso que estão tendo dificuldades para se reunir com ele, pois o diretor da prisão de Washington, DC, está mantendo o local fechado.
Até agora, Allen conversou com os advogados apenas por telefone de dentro da prisão, a partir de uma cela trancada, onde está fisicamente restrito de várias maneiras, dizem seus advogados.
“Como o tribunal sabe, a prisão de DC já abrigou muitos réus de alto perfil. Mas nenhum, até onde os advogados sabem, teve negado este direito essencial da maneira como foi negado a nós em 28 de abril”, escreveram. “O prejuízo à defesa dele cresce a cada hora que passa.”
Os defensores públicos que o representaram na audiência inicial no início desta semana observaram no tribunal que ele não tinha antecedentes criminais.
O juiz mais tarde atendeu ao pedido dos advogados, permitindo que Allen tivesse “visitas jurídicas irrestritas” para o restante de seu caso.
Um mês de preparação para o ataque
Allen, um californiano de 31 anos, é acusado de tentar assassinar o presidente e enfrenta outras acusações relacionadas ao ataque. Ele ainda não fez uma declaração no caso, e seu advogado não respondeu imediatamente a uma mensagem buscando comentário na quarta-feira.
Os promotores federais alegaram que ele chegou a Washington, DC, após uma longa viagem de trem pelo país, eventualmente se aproximando do salão do Washington Hilton na noite de sábado com o que eles descreveram como um “verdadeiro arsenal“. Isso incluía uma espingarda de ação por bombeamento de 12 calibres, uma pistola de calibre .38, várias facas e punhais e uma quantidade significativa de munição para recarga, de acordo com o novo registro.

Segundo os promotores federais, o planejamento de Allen começou semanas antes do jantar.
Em 6 de abril, pouco mais de um mês após Trump anunciar que participaria, Allen procurou informações sobre o evento e, em seguida, fez uma reserva para se hospedar por duas noites no Washington Hilton durante o fim de semana em que o jantar aconteceria, afirmam eles.
Os promotores federais alegaram que ele pesquisou sobre o jantar, a programação, o anfitrião e os convidados esperados.
Quatro dias antes do ataque, em 21 de abril, Allen partiu de Los Angeles em um trem de passageiros da Amtrak, que o levou até Chicago, de acordo com o registro judicial. Em 23 de abril, o registro afirma que ele embarcou em um segundo trem para Washington, DC.
Durante sua jornada de Chicago para a capital do país, Allen passou o tempo lendo um artigo em um jornal de DC que era um guia para o final de semana do jantar dos correspondentes da Casa Branca, segundo o registro judicial. Ele chegou à Union Station em 24 de abril, pegou o metrô até Dupont Circle e fez check-in no Hilton, que estava hospedando o jantar, por volta das 15h15, diz o registro.
Os passos do atirador no dia do jantar
No dia do jantar, de acordo com o registro, Allen deixou seu quarto várias vezes e procurou a programação do presidente em seu telefone.
Por volta das 21h03 no horário de Brasília, Allen tirou uma foto de si mesmo refletido no espelho de seu quarto de hotel, mostrando armas presas ao seu corpo, de acordo com o registro judicial.

Após verificar a programação do presidente pela última vez, Allen deixou seu quarto de hotel por volta das 21h15, conforme o registro.
Cerca de 12 minutos depois, Allen estava assistindo a vídeos ao vivo em sites de mídia mostrando a chegada do presidente ao hotel.
Os promotores federais afirmaram que ele programou um e-mail detalhando suas intenções para ser enviado às 21h30 para as caixas de entrada de familiares, amigos e um ex-empregador.
O momento do ataque
Minutos depois de assistir à chegada do presidente ao hotel em seu telefone, por volta das 21h30 no horário de Brasília, Allen se aproximou do posto de segurança um andar acima do salão de baile onde o presidente, membros do gabinete e da mídia estavam sentados, de acordo com o registro judicial.
Antes de chegar ao posto de segurança, ele tirou o longo casaco preto, revelando a espingarda que estava carregando, conforme o registro. Ele então correu pelo posto de segurança em direção ao salão de baile, uma corrida que foi registrada em vídeo liberado por Trump na noite do ataque.
Enquanto Allen corria em direção às escadas, ele levantou a espingarda e um agente do Serviço Secreto relatou que observou o homem “disparar a espingarda na direção das escadas que levavam ao salão de baile”, de acordo com o registro judicial. O registro diz que o mesmo agente “e outros no posto de segurança ouviram o disparo.”
O agente disparou cinco vezes contra Allen, sem que nenhuma das balas o atingisse, segundo o registro. Allen caiu no chão e foi logo preso, conforme o registro.

