O Palácio de Buckingham tentou minimizar a aparente revelação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a opinião do rei Charles III a respeito do Irã, enfatizando que ela está alinhada com a “posição de longa data e bem conhecida do governo britânico sobre a prevenção da proliferação nuclear”.
A declaração surge após o jantar de Estado de terça-feira (28), no qual Trump afirmou que Charles concordou que o Irã jamais deveria possuir armas nucleares.
Os monarcas britânicos são constitucionalmente obrigados a manter-se acima da política e, normalmente, abstêm-se de expressar opiniões políticas em público.
Qualquer coisa que o monarca compartilhe em conversas privadas também é desencorajada a ser revelada publicamente, segundo uma antiga convenção real.
Mas o monarca embarcou nesta viagem sabendo que coisas ditas em privado poderiam se tornar públicas, já que Trump compartilhou comentários supostamente feitos por ele sobre o clima em uma visita anterior ao Reino Unido.
E a viagem de Charles, embora oficialmente fora do âmbito político, abordou questões geopolíticas. O governo britânico também manteve um olhar atento sobre este evento diplomático crucial – a ministra das Relações Exteriores do país, Yvette Cooper, está viajando com ele e, segundo relatos, concordou com a cabeça quando Trump mencionou as opiniões de Charles sobre o Irã.
Visita de Estado
Trump deu as boas-vindas ao rei Charles na Casa Branca, na terça-feira (28), com um discurso celebrando a evolução da relação entre os Estados Unidos e o Reino Unido.
O presidente também prestou homenagem aos pais do monarca, mencionando os laços de sua mãe com o Reino Unido em um discurso no gramado sul da Casa Branca.
O líder americano também reiterou seu respeito pela família real, brincando sobre o “bonitinho” rei Charles.
Em seguida, o rei fez um discurso perante a sessão conjunta do Congresso. Charles começou seu discurso fazendo referência ao ataque de sábado (25), no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, dizendo que tais atos violentos “nunca terão sucesso”.
Ele também lembrou de sua falecida mãe, a rainha Elizabeth II, elogiou a Otan, enfatizou a profunda relação entre o Reino Unido e os EUA e lembrou aos legisladores que a influência dos Estados Unidos tem “peso e significado”.

