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Rivais de Netanyahu se unem para eleições em Israel; o que pode mudar

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Rivais de Netanyahu se unem para eleições em Israel; o que pode mudar

Dois dos principais rivais do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram que irão unir forças em uma próxima eleição para derrubar seu governo de coalizão, com foco principalmente em questões domésticas, como o serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos.

Mas, em temas como Irã, Gaza e Líbano, o partido de coalizão liderado pelo direitista Naftali Bennett e pelo centrista Yair Lapid deve adotar uma postura de segurança semelhante à de Netanyahu — que lidera o governo mais à direita da história de Israel — o que significa que a política externa israelense permaneceria em grande parte inalterada.

O novo partido, chamado “BeYachad”, que significa “juntos” em hebraico, ainda não divulgou uma plataforma formal. Abaixo está o que se sabe sobre suas posições em conflitos regionais, com base em comentários públicos recentes.

Irã

Bennett, 54, e Lapid, 62, apoiaram firmemente a decisão de Netanyahu de atacar o Irã em conjunto com os Estados Unidos, refletindo um amplo apoio público em Israel à guerra.

No início dos bombardeios aéreos israelenses no Irã, Lapid disse à Reuters, em entrevista, que se tratava de uma “guerra justa contra o mal”.

Desde então, ambos criticaram Netanyahu, 76, pelo que descrevem como fracasso em atingir os principais objetivos de Israel na guerra, incluindo a derrubada do governo clerical iraniano.

No entanto, nenhum dos dois pediu a retomada dos combates desde que os ataques israelenses e americanos e o lançamento de mísseis iranianos foram interrompidos por um cessar-fogo em 8 de abril.

Uma fonte próxima ao novo partido descreveu Bennett e Lapid como “linha-dura” e “duros com o Irã”.

Eles também são “pragmáticos e entendem a necessidade de acordos diplomáticos e do trabalho que ocorre após o uso da força militar para alcançar objetivos estratégicos”, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.

Líbano

Bennett e Lapid também apoiaram firmemente as operações militares israelenses no Líbano, ao mesmo tempo em que questionaram um cessar-fogo de 17 de abril que não conseguiu interromper os combates entre o exército israelense e militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã.

Pouco antes da invasão do sul do Líbano pelo exército israelense, em março, Lapid disse que Israel deve tomar todas as medidas necessárias para proteger seus cidadãos.

Após o anúncio do cessar-fogo com o Hezbollah em abril, Lapid afirmou que a única solução é a remoção permanente da ameaça ao norte de Israel.

Bennett criticou duramente o cessar-fogo, dizendo em uma publicação no Facebook em 17 de abril: “Já é possível fazer a contagem regressiva para a próxima rodada. O Hezbollah começou nesta manhã a reconstruir o sul do Líbano e está se fortalecendo com mísseis para a próxima rodada.”

Faixa de Gaza

Sobre a guerra em Gaza, onde Israel continuou realizando ataques letais apesar de um cessar-fogo em outubro passado, tanto Bennett quanto Lapid criticaram Netanyahu por não destruir completamente o grupo militante Hamas após o ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel.

Em janeiro, Lapid disse que o governo Netanyahu havia alcançado o “pior resultado possível” em Gaza, afirmando que o Hamas ainda possui dezenas de milhares de combatentes armados. O grupo manteve o controle de uma faixa de território na costa de Gaza sob o cessar-fogo.

Em uma publicação no Facebook neste mês, Bennett afirmou que as políticas de Netanyahu — incluindo permitir a entrada de alguma ajuda no enclave após restringir todos os suprimentos humanitários por três meses em 2025 — ajudaram o Hamas a recuperar o controle.

“Isso acontece com a ajuda de centenas de caminhões de ajuda que o governo de Netanyahu leva até eles todos os dias”, escreveu Bennett.

Netanyahu descreveu a devastadora ofensiva militar de Israel, que destruiu grande parte de Gaza e matou mais de 72 mil palestinos, como um sucesso. Ele também mencionou a possibilidade de retomar uma guerra em larga escala caso o Hamas não se desarme em um processo apoiado pelos Estados Unidos, algo que o grupo tem rejeitado até agora.

Estado Palestino

Com pesquisas de opinião mostrando que a maioria dos israelenses se opõe à criação de um Estado palestino independente na Cisjordânia ocupada, em Gaza e em Jerusalém Oriental, um governo Bennett-Lapid provavelmente não promoveria uma grande mudança de política em relação aos palestinos.

Netanyahu se opõe à criação de um Estado palestino, e seu governo acelerou planos de expansão de assentamentos na Cisjordânia, o que, segundo ministros, faz parte de uma estratégia para inviabilizar a independência palestina.

Em 2022, Lapid — que, como muitos no centro e na esquerda israelense, não se opõe totalmente à soberania palestina — afirmou que uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino seria o caminho correto.

Questionado pela emissora americana ABC, em entrevista em 2024, sobre por que se opõe à solução de dois Estados, Bennett disse acreditar que isso levaria à violência contra israelenses.

“O que aprendemos nos últimos 30 anos é que, toda vez que demos aos palestinos um pedaço de terra, em vez de transformá-lo em uma bela Singapura, eles o transformaram em um Estado terrorista e começaram a matar israelenses”, afirmou Bennett.

Sobre a Cisjordânia, Netanyahu, Bennett e Lapid já se posicionaram de forma firme contra a violência de colonos contra palestinos. Esses ataques aumentaram sob Netanyahu, que é acusado por críticos de permitir que colonos ajam livremente para incendiar vilarejos palestinos e ferir moradores. O gabinete de Netanyahu nega essas acusações.

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