O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou, nesta segunda-feira (27), uma denúncia contra 23 pessoas investigadas por participação em um esquema de lavagem de dinheiro que operou de forma estruturada por pelo menos quatro anos na capital paulista.
Entre os denunciados estão operadores financeiros ilícitos, advogados, intermediários e policiais civis. Eles são acusados de associação criminosa, corrupção ativa e passiva e fraude processual.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações indicam que os integrantes montaram uma rede de corrupção que atingiu diferentes unidades da Polícia Civil de São Paulo, com o objetivo de garantir a continuidade das atividades ilícitas do grupo. O esquema movimentava quantias bilionárias por meio de empresas de fachada, evasão de divisas, “ticketagem” com cartões de alimentação e outros mecanismos de lavagem de capitais.
As autoridades também identificaram tentativas de interferência nas operações, como a retirada de documentos e a substituição de dispositivos eletrônicos apreendidos.
Na denúncia, o MPSP pede a manutenção das prisões preventivas de parte dos acusados, além das medidas patrimoniais impostas no âmbito da Operação Bazaar.
O Ministério Público destaca ainda que a corrupção de agentes públicos responsáveis por investigações causou prejuízo à confiança da sociedade nas instituições de segurança pública. Por isso, solicita a reparação por dano moral coletivo.
Relembre os detalhes da Operação Bazaar
O MPSP e a Polícia Federal realizaram, no dia 5 de março, a Operação Bazaar contra corrupção e lavagem de dinheiro dentro de departamentos da Polícia Civil de São Paulo.
Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação relacionados a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis.
A decisão judicial que autorizou a operação cita um “elevado grau de prática de corrupção sistêmica” por parte de policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) e do 16º Distrito Policial (Vila Clementino).
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as investigações do Ministério Público. A Polícia Civil reafirma que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. “Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão adotadas caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”, apontou.
*Sob supervisão de Thiago Félix

