A Gerdau prevê obter melhoria de margem de lucro no Brasil nos próximos trimestres, apesar de fortes impactos em custos que incluem fretes, que já estão se fazendo sentir nas contas da companhia, e que serão registrados nos próximos meses derivados de insumos como carvão.
“Com um aumento desses de custos, temos buscado nossos clientes para conseguirmos um novo patamar de rentabilidade”, disse o presidente-executivo da companhia, Gustavo Werneck, em entrevista a jornalistas ao ser perguntado sobre eventuais aumentos de preços de aço no Brasil.
“As negociações com fornecedores de insumos têm sido muito árduas”, afirmou Werneck.
Segundo o vice-presidente financeiro da Gerdau, Rafael Japur, fretes terrestres e custos com gás natural são os principais impactos imediatos derivados da guerra no Oriente Médio, que desencadeou um aumento global nos preços internacionais do petróleo e seus derivados desde o final de fevereiro.
O gás é usado pela Gerdau no processo de reaquecimento de aço para laminação.
“Em torno de 9% a 12% do nosso custo de vendas no Brasil é frete”, disse Japur.
Sobre carvão, o executivo afirmou que a Gerdau ainda não viu uma mudança significativa no preço do insumo em suas contas, mas diante de um aumento dos fretes internacionais, da ordem de 20% a 30%, entre Brasil e Ásia, deve haver um impacto na estrutura de custos da companhia nos próximos meses.
“A gente faz pedidos (de carvão) com grande antecedência… tipicamente o ‘lead time’ é de 90 a 180 dias entre o aumento do preço do carvão e isso transitar efetivamente nos custos da companhia”, disse o vice-presidente financeiro.
No primeiro trimestre, a margem do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das operações da Gerdau no Brasil foi de 9,2%, melhorando sobre os 7,1% do final do ano passado, mas ainda longe dos 14,6% do início de 2025 e dos 24,1% das operações norte-americanas do grupo, segundo o balanço publicado na noite da véspera.
“Esse patamar de rentabilidade não é possível de ser mantido num prazo de tempo muito longo”, disse Werneck. “É imperativo voltarmos a um patamar que remunere nosso capital nos próximos trimestres”, acrescentou.
Japur exemplificou a situação das operações da Gerdau no Brasil: “Tivemos uma margem de 9,2% no Brasil e temos um custo financeiro em torno de 10%… Não precisa fazer muita conta para ver que não gera lucro uma margem de 9%.”
Segundo os executivos, parte da melhora das margens no Brasil deve vir de investimentos nas operações brasileiras, que no primeiro trimestre foram equivalentes a 84% do R$ 1,1 bilhão desembolsado pelo grupo no mundo.
Meses atrás, Werneck chegou a mencionar que a Gerdau iria rever investimentos no Brasil, se o país não tomasse medidas de defesa comercial contra importações de aço, especialmente da China.
Desde então, o governo federal aprovou uma série de ações para coibir importações excessivas de aço, incluindo sobretaxas antidumping sobre aços planos laminados a frio e revestidos.
Agora a Gerdau, e outras siderúrgicas que operam no Brasil, esperam para entre final de junho e início de julho antidumping sobre aços planos laminados a quente.
Além disso, Japur afirmou na entrevista que a Gerdau prevê para o segundo semestre uma decisão sobre o pedido de antidumping sobre fio máquina, um produto usado como insumo para a fabricação de itens como pregos, parafusos, molas, telas, e componentes automotivos.
O executivo disse que o pedido de antidumping foi feito no ano passado, mas não deu detalhes sobre possíveis margens para as sobretaxas.
“Em torno de 30% do nosso negócio no Brasil são barras, (produtos para) concreto armado e vergalhão”, disse o executivo. “E, dentro dessa família, o pedaço de fio máquina representa 10% das nossas vendas no Brasil.”
Werneck afirmou que fio máquina foi um dos principais produtos de aço longo importados pelo Brasil nos últimos meses “de forma desleal”, sem seguir os padrões da OMC (Organização Mundial do Comércio).
O executivo disse ainda que a empresa também deve fazer um pedido ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) de antidumping sobre vergalhões.
As ações da Gerdau exibiam alta de 1,8% às 11h44, na ponta positiva do Ibovespa que mostrava recuo de 1%.
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