A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) criticou nesta terça-feira (28) o uso de recursos do FGTS (Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço) para pagamento de dívidas.
A medida será um dos mecanismos do Desenrola 2.0, novo programa do governo federal sobre endividamento.
Na visão da CNC, o uso de dinheiro do FGTS pelos endividados “não é uma solução permanente” para o problema da inadimplência, e, além disso, prejudica uma “fonte de poupança” para muitos brasileiros.
“O programa tem que trazer mecanismos que resolvam o endividamento de forma mais definitiva. O uso do FGTS é um problema porque o Brasil já é um país sem poupança, e um os meios que fazem os brasileiros terem alguma reserva será utilizado para dívidas, isso não é o ideal”, disse Fábio Bentes, economista-chefe da CNC.
A possibilidade de utilização de recursos atualmente no FGTS para renegociar dívidas já foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O programa deve ser anunciado nos próximos dias pelo governo.
Os beneficiários do programa poderão usar até 20% dos seus depósitos no FGTS. De acordo com o ministro da Fazenda, a medida será “um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas, mas não necessariamente sendo maior do que o débito”, explicou Durigan.
Para o economista-chefe da CNC, a injeção de recursos do FGTS na economia nacional pode ter efeito no curto prazo, tanto para o pagamento de débitos imediatos quanto para o aumento do consumo em comércio e serviços.
“Ao longo prazo, a medida pode ter até efeitos contrários, como inflação e a tomada de novas dividas futuras se mais nada for feito”, afirmou.
O novo Desenrola
O programa de renegociação de dívidas do governo deve ser apresentado em fases, com três grupos focais: famílias, informais e pequenas empresas. Na primeira etapa, serão beneficiadas as pessoas físicas.
Além disso, no chamado Desenrola 2.0, os juros cobrados nos refinanciamentos devem ficar abaixo de 2% ao mês. Os descontos oferecidos pelos bancos podem ser de 20% a 90% do total da dívida, incluindo juros e o principal.

