O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está consultando sua equipe econômica sobre o envio de uma proposta ao Congresso Nacional que zere a chamada “taxa das blusinhas”, imposto aplicado sobre compras internacionais de baixo valor. A medida, no entanto, enfrenta resistência da ala econômica do governo.
Segundo a analista Isabel Mega, no Bastidores CNN, a implementação da taxa gerou forte reação negativa entre consumidores, que em muitos casos pararam de realizar compras em sites internacionais. O tema chegou a ficar em stand-by após alertas, inclusive da primeira-dama, Janja Lula da Silva, sobre o impacto negativo da medida, mas acabou sendo implementada mesmo assim.
A pressão pela reversão da taxa vem aumentando desde sua aplicação. Os Correios têm feito intenso lobby junto ao Palácio do Planalto para tentar reverter a medida, atribuindo o agravamento do rombo financeiro da estatal à perda de competitividade frente a empresas privadas que passaram a dominar esse mercado.
Por outro lado, a ala econômica do governo continua defendendo firmemente a manutenção da taxa. O argumento principal não é apenas arrecadatório, mas de proteção aos varejistas brasileiros, que estariam sendo prejudicados pela concorrência de empresas estrangeiras, principalmente chinesas, considerada desleal.
“Se Lula quiser rever mesmo a taxa das blusinhas, vai ter que enfrentar outra ira, que não vai ser do consumidor, mas vai ser do varejista brasileiro que vai reagir”, alertou a analista. A decisão envolve também questões eleitorais, já que a reversão da taxa poderia ajudar a trazer mais popularidade ao presidente em um momento em que o governo faz um “pente fino” em medidas impopulares.
O impasse coloca Lula diante de um difícil equilíbrio entre atender demandas populares que podem reverter em apoio político e manter o compromisso com a proteção da indústria nacional, defendida pela equipe econômica. A posição da equipe econômica, segundo a análise, não mudou substancialmente desde a implementação da medida.
