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Análise: Desenrola 2.0 alivia contas mas não resolve o problema

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Análise: Desenrola 2.0 alivia contas mas não resolve o problema

O Desenrola 2.0, nova versão do programa do governo federal para endividados, deve ser anunciado ainda nesta semana, conforme informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, na última segunda-feira (27). No entanto, segundo análise de Gabriel Monteiro ao CNN Novo Dia, o programa representa apenas um alívio temporário, sem resolver o problema estrutural do endividamento.

“Resolve parcialmente, é um alívio imediato, é talvez um analgésico para a gente parar de sentir dor agora, como já foi anteriormente”, explicou Monteiro. Ele lembrou que o Desenrola 1.0, lançado em 2023, não impediu o aumento no número de endividados no país.

“À época, o número de endividados, de pessoas físicas endividadas no Brasil era de cerca de 72 milhões e hoje é de quase 82 milhões. Ou seja, nós já tivemos um programa de renegociação de dívida e agora estamos no recorde histórico. Estruturalmente não deu certo”, destacou: “Aliviou as contas das famílias mensalmente, mas, logo após, elas voltaram a se endividar e agora talvez estejam na pior situação da história do Brasil em questão de endividamento”.

Problemas estruturais do endividamento

O analista apontou diversos fatores que contribuem para o endividamento crônico no Brasil. Entre eles estão a taxa de juros estruturalmente alta, com média acima de 10% neste século, problemas com garantias de crédito, e a competição do setor privado com o governo por recursos financeiros, já que os títulos públicos oferecem retornos elevados sem risco.

“O governo paga bem, paga 15% ao ano para essa taxa de juros sem risco algum. Para você ceder crédito para a pessoa física, você vai ter que cobrar muito mais do que esses 15%”, explicou Monteiro. Ele também mencionou a falta de educação financeira como um problema significativo, citando que “a maior parte das pessoas aqui no Brasil paga taxas de juros que superam 100%”.

O Desenrola 2.0 pode incluir novidades em relação à versão anterior, como travas para impedir que participantes contraiam novas dívidas em modalidades de crédito caras, como cheque especial e rotativo do cartão de crédito. Também há estudos para restringir o acesso a casas de apostas por parte de quem aderir ao programa.

Um dos pontos de debate é a possibilidade de uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar dívidas, o que tem gerado críticas do setor imobiliário. “O setor imobiliário está reclamando bastante de um desvirtuamento deste fundo para cobrir estas dívidas”, comentou o analista. “Financeiramente faz sentido porque o FGTS rende pouco e a dívida é muito cara. Você está trocando um dinheiro que já está represado do trabalhador para evitar um efeito bola de neve. Agora, estruturalmente, não foi para isso que o fundo foi feito”.

Segundo Monteiro, os principais beneficiados pelo programa seriam o governo, que pode obter ganhos eleitorais com a sensação de melhora econômica em ano eleitoral, e os bancos, que receberiam créditos tributários para dar descontos e garantias do governo utilizando fundos públicos para dívidas de alto risco.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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