A discussão sobre o envelhecimento e as inevitáveis transformações hormonais ganhou destaque de forma criativa.
Foi em cima do palco que o ator Jarbas Homem de Mello, 56, revelou ter sugerido a inclusão de uma cena que trata sobre a andropausa no espetáculo “Cenas da Menopausa”, em que protagoniza ao lado da esposa, Claudia Raia.
A iniciativa, segundo ele, tinha como objetivo popularizar o debate sobre o hipogonadismo masculino tardio (termo técnico utilizado pela medicina) condição frequentemente ignorada devido a barreiras culturais.
Em entrevista ao jornal “O Globo”, o ator abriu o jogo sobre a própria saúde, revelando que faz reposição hormonal há quase cinco anos.
Para ele, a dificuldade em abordar o tema está diretamente ligada a preconceitos enraizados: “O tabu no homem é muito maior por causa do machismo estrutural”, avaliou. Jarbas destacou que sintomas como a irritabilidade são rapidamente identificados em seu cotidiano: “Quando bate a falta de paciência, a gente já associa ao hormônio”.
Julgamento social
Além das questões clínicas, o ator criticou a diferença de julgamento social entre os sexos. Ao relembrar a gravidez de Claudia Raia após os 50 anos, Jarbas pontuou o silêncio da sociedade em relação à sua própria idade como pai. “Nunca se falou de eu ter filho aos 53. Nem a mídia ou ninguém questionou isso. Questionam a mulher.”
Para o artista, essa diferença de tratamento reflete uma visão distorcida sobre a utilidade social de homens e mulheres com o passar dos anos. “O mundo é muito machista, horrível, então o homem pode procriar até os 70 anos e está tudo certo. A mulher, depois dos 40, não serve para mais nada”, lamentou.
Desafio do diagnóstico
Para além das barreiras socioculturais destacadas pelo ator, a condição, diferentemente da menopausa, marcada pela interrupção brusca do ciclo menstrual e pelos fogachos, se caracteriza por um declínio lento da testosterona a partir dos 40 anos. Essa transição sutil contribui para que muitos homens ignorem sinais de fraqueza muscular e alterações de humor.
Segundo Alexandre Kalache, do Centro Internacional de Longevidade Brasil, o maior obstáculo é a aceitação, já que os pacientes tendem a ignorar as mudanças físicas, “muitas vezes negando o próprio envelhecimento”. Especialistas reforçam que o acompanhamento médico regular é a única forma de garantir um tratamento seguro e evitar complicações crônicas.
Contraste entre os gêneros
Enquanto a transição hormonal feminina é marcada por quedas drásticas de estrogênio e progesterona, a masculina ocorre de forma mais lenta e tardia.
Segundo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, essa diferença biológica reflete diretamente na percepção da saúde: enquanto as mulheres lidam com sinais claros, como ondas de calor e a interrupção da menstruação, os homens tendem a ignorar as mudanças físicas, “muitas vezes negando o próprio envelhecimento”.
Sinais de alerta e tratamento
Ainda que gradual, a andropausa manifesta sinais clínicos que não devem ser ignorados. A fraqueza muscular e a redução dos níveis hormonais em exames de sangue são os indicadores primordiais para a busca de ajuda profissional.
- Impacto: a disfunção afeta significativamente a qualidade de vida e a saúde geral.
- Diagnóstico: fundamental para estabelecer protocolos de reposição ou regulação acompanhados.
- Prevenção: o monitoramento regular permite que o homem mantenha o vigor físico e mental, quebrando o ciclo de negligência com o próprio corpo.
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