A violência política nos Estados Unidos tem aumentado significativamente nos últimos anos, não estando concentrada em apenas um grupo específico. Após o recente ataque durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, onde houve disparos próximos a Donald Trump, a secretária de imprensa do presidente atribuiu ao Partido Democrata e à imprensa a responsabilidade pelo ocorrido.
Segundo a analista Fernanda Magnotta destaca, no CNN 360°, que a violência política nos Estados Unidos “não está concentrada em torno de apenas um grupo, não é incitada por apenas um grupo. Aliás, o que os dados mostram é bem o contrário. Ela é, em geral, bastante difusa, não monopolizada”. Segundo a especialista, esse fenômeno é “alimentado e amplificado pela polarização, que é uma realidade inquestionável no país, e pelo fato de que há redes sociais e uma certa desconfiança institucional“.
Aumento alarmante nos números
De acordo com dados do FBI citados pela analista, os episódios envolvendo violência política mais que dobraram nos Estados Unidos nos últimos dez anos. “A gente está falando, no caso, de ameaças a autoridades federais. Então, em 10 anos, entre 2016 e 2026, essas ameaças mais do que dobraram”, explicou Magnotta. Apenas em um único ano, a polícia especializada que protege membros do Congresso reportou mais de 8 mil ameaças, aproximadamente três vezes mais do que há uma década.
Outro dado preocupante mencionado pela analista é que cerca de 20% dos norte-americanos acreditam que a violência política pode ser justificável em certas circunstâncias específicas. Esse cenário se torna ainda mais grave em um país onde o acesso a armas é facilitado, o que potencializa os riscos de ataques violentos.
Raízes do problema
Segundo pesquisas realizadas pela Universidade de Princeton e pela Brookings Institution, citadas por Magnotta, quando há uma retórica política mais agressiva, abre-se espaço “para a percepção de legitimidade da violência”. A especialista explica que “na medida em que os políticos vão explorando esses elementos de ordem emocional no seu eleitorado, isso se torna praticamente um caminho visto como possível ou aceitável”.
Embora existam iniciativas para conter a violência política nos Estados Unidos, como manifestações bipartidárias contra esse tipo de ação e a classificação desses atos pela justiça americana “nos mais duros termos”, Magnotta ressalta que tais medidas são insuficientes se o problema de fundo não for enfrentado: “uma sociedade que bebe na fonte da polarização, que, por sua vez, bebe na fonte da própria desigualdade, de uma série de problemas que os Estados Unidos possuem, que são problemas sistêmicos”.

