Ciro Gomes (PSDB) deve decidir em maio se disputará a Presidência da República ou o governo do Ceará. Segundo o analista de Política Pedro Venceslau, o ex-governador tem enviado sinais contraditórios sobre suas intenções eleitorais, adaptando seu discurso conforme o público.
“Esse movimento começou com Aécio Neves, que está buscando retomar a relevância do PSDB, fez um evento em Brasília e, numa entrevista coletiva, disse que Ciro Gomes poderia ser candidato à Presidência da República, ele fez esse convite a seu aliado cearense”, comentou Venceslau durante o CNN 360º desta segunda-feira (27).
Na ocasião, Ciro deixou no ar a possibilidade de concorrer ou não ao cargo máximo do país. No entanto, no dia seguinte, durante um discurso para aliados em Fortaleza, garantiu que permaneceria na disputa estadual, afirmando que não poderia abandonar o Ceará por ter um compromisso com o estado.
“Isso foi música para o ouvido dos aliados. Se Ciro Gomes decide disputar a Presidência, ele vai causar um enorme desgaste entre os aliados, que já estão todos reunidos em torno dele. Inclusive o PL de Flávio Bolsonaro, que comprou uma disputa interna com Michelle Bolsonaro e bancou a escolha por Ciro Gomes contra o nome de Eduardo Girão, que era o favorito dela”, relembra o analista.
Porém, em evento do PSDB no último fim de semana em São Paulo, ao lado de Aécio Neves, Ciro voltou a afirmar que poderia disputar a presidência, contrariando seu discurso feito em Fortaleza. “Ele afirmou que pode disputar a Presidência, mas que vai tomar essa decisão em maio“,destaca Venceslau.
Durante este evento, fez um pronunciamento contundente, mencionando que se sentiu “profundamente humilhado por uma campanha fascista” na última eleição presidencial, que segundo ele, negou-lhe o direito de participar adequadamente do processo.
Venceslau aponta que, nos bastidores, Ciro está alinhado com Aécio Neves em uma estratégia de “ganha-ganha”: “Ele entra nas pesquisas de intenção de voto, nome dele aparece nacionalmente, ele ganha a projeção que ajuda a cacifar a candidatura dele no Ceará contra o PT“.
Esta movimentação ocorre enquanto importantes lideranças tucanas, como o ex-senador Tasso Jereissati, afirmam que o foco de Ciro deve ser o governo estadual, deixando uma eventual candidatura presidencial para um futuro mais distante.

