A canadense Origen Resources ampliou sua aposta em terras raras no Nordeste com a assinatura de uma nova carta de intenções para adquirir um projeto mineral de mais de 33 mil hectares entre o Piauí e a Bahia.
Com a operação, a empresa afirma que poderá controlar mais de 68 mil hectares em um cinturão emergente de terras raras na região. A companhia já havia anunciado, em outubro de 2025, outro acordo para adquirir um projeto no Piauí.
Segundo comunicado ao mercado, a nova área tem potencial para depósitos de argila de adsorção iônica, modelo geológico considerado estratégico por concentrar terras raras pesadas.
Esse modelo é considerado estratégico porque permite extrair as terras raras com um processo mais simples e menos agressivo, usando soluções leves e sem a necessidade de aquecer o material a altas temperaturas ou utilizar grandes volumes de ácidos fortes, etapas comuns em projetos de rocha dura, que costumam encarecer e tornar a operação mais complexa.
Na prática, isso pode significar menor consumo energético, redução de custos operacionais e menor geração de rejeitos agressivos. Além disso, depósitos de argila iônica costumam ocorrer próximos à superfície, reduzindo a necessidade de escavações profundas, podendo diminuir o investimento inicial em infraestrutura de mina.
A Origen terá 150 dias de exclusividade para realizar a due diligence, etapa de análise técnica e jurídica do projeto.
Caso o resultado seja positivo, a empresa poderá adquirir 70% de participação mediante pagamento de US$ 100 mil, emissão de 2 milhões de ações e investimento de US$ 1,5 milhão em exploração.
Apesar do avanço, o movimento ainda está em estágio inicial.
A assinatura de cartas de intenção não significa que os projetos sairão do papel. As áreas ainda precisam passar por etapas de due diligence, novas campanhas de amostragem, estudos geológicos, comprovação de viabilidade econômica e, posteriormente, licenciamento antes de uma eventual produção mineral.
Esse processo pode levar anos e não há garantia de que resulte em uma mina em operação.
Governo sabe do potencial do estado
O Piauí está entre os estados brasileiros com potencial de ocorrência de terras raras no subsolo.
Diante do crescimento do interesse internacional por minerais críticos e do ainda baixo nível de conhecimento geológico sobre parte do território nacional, representantes do SGB (Serviço Geológico do Brasil) se reuniram com o governador Rafael Fonteles para discutir parcerias e projetos voltados à ampliação do mapeamento mineral no estado.
Durante o encontro, Fonteles manifestou interesse em expandir o levantamento do potencial mineral piauiense e afirmou querer contar com o apoio técnico do SGB nesse processo.
Há estudos do SGB sobre o potencial de terras raras na mesma região geológica citada pela Origen, na borda oriental da Bacia do Parnaíba.

