Em celebração ao Dia Mundial do Livro, os ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC) formalizam, nesta quinta-feira (23), a portaria interministerial que institui o novo PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura).
Válido para o decênio 2026-2036, o documento foi assinado nesta quinta-feira (23), no CICB (Centro Internacional de Convenções do Brasil), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros Margareth Menezes e Leonardo Barchini.
O novo ciclo do PNLL visa consolidar o livro e a escrita como bens essenciais e pilares da democracia brasileira.
Entre as metas ambiciosas para a próxima década, o governo federal pretende elevar o percentual de leitores no país de 47% para 55% até 2035, além de expandir a presença de livrarias no interior e reduzir o custo final das obras para o consumidor.
Foco na bibliodiversidade e cidadania
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destaca que a parceria entre as pastas tem sido fundamental para a emancipação cidadã.
“Com o novo PNLL, estamos fortalecendo nosso Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas para que ele se nutra de acervos que respeitem e promovam nossa imensa bibliodiversidade. Nosso compromisso é garantir que o livro chegue a cada canto do país, reafirmando a leitura como um pilar de soberania e de combate às desigualdades”, afirmou a ministra.
Menezes também ressaltou o papel do livro no cenário contemporâneo: “O PNLL é uma realidade ativada pela sociedade e pelos governos. O livro e a leitura são vacinas contra a desinformação e contra a deterioração intelectual que o consumo superficial de conteúdos digitais pode causar”.
De acordo com o texto, o plano está estruturado em quatro eixos principais:
- Democratização do acesso;
- Fomento à leitura e formação de mediadores;
- Valorização institucional;
- Desenvolvimento da economia do livro.
A grande inovação deste ciclo é a inclusão do direito à escrita criativa como prática central, incentivando a produção cultural em territórios periféricos, quilombolas e indígenas.
Livros na cesta básica
Fabiano Piúba, secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, define o PNLL como a “bússola estratégica” do setor. “O PNLL estabelece diretrizes que nos permitem ocupar as praças, as escolas e as bibliotecas com uma agenda que coloca o livro na ‘cesta básica’ do brasileiro.
A inclusão da escrita criativa e literária como um direito neste novo ciclo demonstra nossa maturidade em compreender o livro como um processo vital de produção de cidadania e de reinvenção do próprio mundo”, destacou Piúba.
Plano Nacional do Livro e Leitura: inclusão e impacto social
O plano também prevê a universalização da acessibilidade, com metas para acervos em braille, libras e audiolivros em todas as bibliotecas públicas.
Além disso, o PNLL reforça a atuação em espaços não convencionais, como hospitais e unidades prisionais, utilizando a leitura para a humanização e remição de pena.
Historicamente, o PNLL — iniciado em 2006 — já contribuiu para o aumento do índice nacional de leitura, que subiu de 1,8 para 4,7 livros por habitante ao ano em seus períodos de maior mobilização. Para Piúba, a continuidade da política é vital para a formação e incentivo à leitura em todo o país: “Estaremos fadados ao fracasso econômico se não ampliarmos o domínio da escrita entre nossos cidadãos”.
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