O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), defendeu nesta quinta-feira (23) a importância do chamado “Inquérito das Fake News” e afirmou que o Brasil vive um “estágio de paz política” graças a ele.
Segundo Gilmar, apesar das críticas, o inquérito não deve ser encerrado antes das eleições presidenciais de 2026. O ministro argumentou que o pleito motiva maiores críticas ao STF, que acabam virando tema de campanha. Por isso, seria importante a Corte manter um “instrumento de defesa”.
“O Brasil está nesse estágio de paz política hoje por causa do inquérito. Ele vai terminar quando acabar. Eu acho difícil acabar antes das eleições, porque os ataques contra o STF recrudesceram-se. A gente tem um pouco de prática em relação a isso. Diante de câmeras, ficam esses valentões aí, são falsos tigrões. Estão fazendo ataques, fazendo campanha. E eu acho que o tribunal precisa de instrumentos efetivos de defesa”, afirmou o ministro em entrevista ao Correio Braziliense.
Gilmar disse ainda que o trâmite do inquérito é “bem controlado” e não há risco de abusos: “A PGR pede medidas, o relator examina e a PF investiga. Não há risco de abuso”, defendeu.
A CNN mostrou que o inquérito deve seguir em tramitação até pelo menos o final do primeiro semestre de 2027, a despeito da mobilização de uma ala do STF para encerrá-lo ainda neste ano.
A tendência é a de que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, analise a possibilidade de concluir o inquérito quando estiver prestes a assumir a presidência do tribunal em setembro do próximo ano.
O inquérito foi aberto de ofício, sem provocação de órgãos de investigação, pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, que designou Moraes como relator, sem realização de sorteio, como costuma ocorrer.
Após sete anos de tramitação, a Corte vem sendo cobrada do encerramento do processo por parte da oporição e até de entidades jurídicas como a OAB. As alegações são de que os ministros utilizam o inquérito para perseguir aqueles que criticam o tribunal.

