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Crise da memória RAM pode durar mais dois anos, diz CEO da Claro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Crise da memória RAM pode durar mais dois anos, diz CEO da Claro

O setor de telecomunicações no Brasil está em alerta com o prolongamento da crise global de semicondutores. Em evento realizado nesta quinta-feira (23), o CEO da Claro, Rodrigo Marques, projetou que a escassez e a alta de preços das memórias RAM devem persistir por, pelo menos, mais dois anos.

Segundo o executivo, o impacto já é visível na cadeia de suprimentos, com reajustes que superam a marca dos 30% em equipamentos essenciais.
“Não somos fabricantes de memória, mas consumimos muitos equipamentos que dependem delas. Isso impacta diretamente o preço de set-up boxes, televisores, modems de banda larga e smartphones”, explicou Marques em evento com jornalista nesta quinta-feira (23).

A chamada “crise das memórias RAM” é um fenômeno de desequilíbrio entre oferta e demanda que tem encarecido drasticamente o custo de produção de eletroeletrônicos em escala global.

O gargalo atual é impulsionado, principalmente, pela explosão da Inteligência Artificial Generativa: as três grandes fabricantes mundiais de chips (Samsung, SK Hynix e Micron) desviaram boa parte de sua capacidade produtiva para a fabricação de memórias de altíssima performance (HBM), voltadas para servidores de IA, em detrimento dos componentes convencionais usados em smartphones, modems e computadores.

Aliado a uma transição tecnológica para o padrão DDR5 e a cortes estratégicos na produção para recuperação de margens, esse cenário cria uma pressão inflacionária na cadeia de suprimentos que, segundo especialistas e executivos do setor, pode manter os preços em patamares elevados até meados de 2026.
“Pelo que conversamos com nossos fornecedores, este é um problema para dois anos”, disse o CEO da Claro.

Absorção de custos e risco de desabastecimento

Embora o mercado sinalize reajustes de até 30% para smartphones e notebooks, o CEO afirmou que a Claro tem conseguido negociar a estabilidade de preços neste primeiro semestre.

No entanto, Marques admitiu que a manutenção desses valores tem um limite. “Estamos tentando ao máximo negociar para que o impacto não seja repassado ao consumidor. Mas, dependendo do percentual, chega uma hora que fica impossível”, ele alerta.

O cenário é mais crítico para equipamentos de TV e banda larga. Segundo Marques, nestas categorias os preços já subiram mais de 30% e a Claro está “absorvendo o impacto” para manter as ofertas atuais.

Além do custo, há o risco real de falta de produtos. “Alguns fornecedores já sinalizam eventual falta de equipamento. O mundo inteiro está antecipando compras por causa dessa questão.”

O entrave das GPUs e o “fator Nvidia”

Um dos pontos centrais da estratégia da Claro para Inteligência Artificial esbarra na burocracia tributária brasileira. Como a única “Nvidia Account Partner” da América Latina, a Claro tem acesso privilegiado às cobiçadas GPUs da gigante americana, mas não consegue trazê-las fisicamente para o país.

“Hoje é economicamente inviável hospedar essas GPUs no Brasil devido a um problema grave de tarifação”, revelou Marques.

A solução tem sido manter o processamento em outras localidades no mundo. O executivo condicionou a vinda dessa infraestrutura ao avanço do Redata, projeto de lei que visa desonerar a importação de equipamentos para data centers.

“Os clientes entendem que existe essa restrição tributária e fiscal. Já temos o plano combinado com a Nvidia e com a Oracle: assim que a legislação for alterada, traremos essa tecnologia para o Brasil”, concluiu.

Disputa pela Oi Soluções e “Guerra de Preços”

Questionado sobre o interesse na Oi Soluções — braço de TI da operadora em recuperação judicial que deve ir a leilão em breve —, Marques não confirmou lances, mas traçou um diagnóstico agressivo sobre o mercado móvel nacional.

“O mercado móvel no Brasil vive o momento mais competitivo dos últimos seis meses. A guerra de preços entre as operadoras nunca esteve tão forte. Vemos ofertas extremamente agressivas dos concorrentes em cima da nossa base”, pontuou o executivo, descartando qualquer acomodação do setor após a consolidação da Oi Móvel.

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