O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não irá debater um projeto para o fim da escala 6×1 no Brasil que envolva desonerações para empresas. A posição do governo, no entanto, enfrenta resistência do setor empresarial brasileiro e da oposição, que não aceitam mudanças na jornada de trabalho sem compensações financeiras.
A analista de Política Isabel Mega observou, durante o Bastidores CNN desta quinta-feira (23), que a discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhará mais corpo na comissão especial que será instalada na próxima semana na Câmara dos Deputados.
“Ele [Hugo Motta, presidente da Câmara] já disse que pretende anunciar agora mesmo essa comissão especial e que a ideia é que ela seja instalada semana que vem. A partir daí começam os debates, no âmbito dessa comissão, que vão tratar das medidas de compensaão de um lado, e do outro dessa questão da transição”, destacou Mega.
Mega comenta que as principais dúvidas que surgem no debate é se haverá uma transição uniformizada para todos os setores ou se alguns terão regras específicas. Segundo a analista, parlamentares do PT afirmam que “agora começa a briga”, mas não necessariamente veem isso como algo negativo.
“Na avaliação de alguns parlamentares do PT, é onde o partido e o próprio presidente Lula podem crescer nessa batalha, digamos assim, que eles querem fazer sobre a 6×1″, afirmou.
Isabel Mega lembra que o fim da escala 6×1 não significa necessariamente a adoção de uma jornada 4×3, como propunha o projeto da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A alternativa mais factível, considerando a distribuição de horas, seria a escala 5×2, na qual o trabalhador trabalha cinco dias e folga dois, tendo um final de semana completo.
Há também discussões sobre a possibilidade de adotar um modelo semelhante ao dos Estados Unidos, com pagamento por hora trabalhada, proposta que já está sendo mencionada pela oposição.
“De alguma forma a gente tem que discutir isso, a gente tem que acompanhar o debate que está acontecendo lá fora e que o Brasil também precisa estar nesta esteira e repensar essas relações trabalhistas do ponto de vista da modernização do que a gente aqui nessas relações”, observou a analista.
O cronograma previsto pelos parlamentares é de que a proposta avance na Câmara durante o mês de maio, seguindo posteriormente para o Senado, com o objetivo de concluir a tramitação ainda neste semestre.

