A Fictor Alimentos informou na noite de sexta-feira (17), em fato relevante divulgado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que a Justiça de São Paulo deferiu o processamento de sua recuperação judicial, no âmbito do processo envolvendo o Grupo Fictor.
A decisão foi emitida pelo Juízo Auxiliar da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O deferimento inclui a companhia em regime de consolidação substancial com outras empresas do grupo.
Entre as determinações judiciais, está a suspensão, por 180 dias, de ações e execuções contra as empresas envolvidas, além da interrupção do prazo prescricional de obrigações sujeitas ao processo. Também foi proibida a realização de atos de constrição sobre bens das recuperandas durante esse período, conhecido como “stay period”.
A decisão ainda prevê a nomeação da Laspro Consultores como administradora judicial e da Price Waterhouse Coopers Assessoria Empresarial como agente de monitoramento das atividades do grupo. As empresas deverão apresentar demonstrativos financeiros mensais enquanto durar o processo.
De acordo com a legislação, o plano de recuperação judicial deverá ser apresentado em até 60 dias a partir da publicação da decisão.
Contexto
Em fevereiro, a Fictor Alimentos havia informado que solicitou sua inclusão no processo de recuperação judicial da Fictor Holding Financeira, controladora do grupo. Na ocasião, a holding já havia pedido recuperação judicial em meio a uma crise de liquidez, atribuída pela empresa à tentativa de aquisição do Banco Master.
Inicialmente, as operações ligadas ao agronegócio, incluindo a própria Fictor Alimentos, não estavam incluídas no pedido. Posteriormente, a companhia apresentou um aditamento para integrar formalmente o processo junto a outras empresas do grupo.
A Fictor Alimentos é a principal subsidiária do conglomerado, respondendo por cerca de 70% da receita. O grupo declarou faturamento de R$ 3,5 bilhões em 2024.
Nos últimos anos, a empresa vinha concentrando sua atuação no setor de proteína animal e adotando a estratégia de comprar empresas em dificuldades financeiras. Em abril do ano passado, anunciou a aquisição de uma unidade da Mellore Alimentos, que está em recuperação judicial.
