No Rio Grande do Sul, polo da produção de azeite de oliva, a colheita das azeitonas já começou e as primeiras impressões dos técnicos locais é de que a qualidade dos olivais confirma a expectativa de o Brasil bater o primeiro milhão de litros do óleo extravirgem, que será um recorde para o setor nacional.
Atualmente, 75% da produção está no Rio Grande do Sul e, por isso, o início da colheita é marcado com evento comemorativo organizado pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). A 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva ocorreu na sede da Azeite Milonga, que fica em Triunfo (RS).
No estado, são 325 produtores espalhados em 6,2 mil hectares cultivados em 110 municípios, com destaque para a Metade Sul do Estado.
O presidente da entidade, Flávio Obino Filho, destacou que o azeite brasileiro é de alta qualidade, com desempenho comparável ao de países com maior número de premiações, como os europeus. Durante o evento de abertura da colheita, ele também afirmou que o resultado da safra está relacionado à combinação de fatores climáticos e à evolução técnica na produção.
“Tivemos uma conjunção aqui no Rio Grande do Sul e no Brasil de fatores climáticos que deram como resultado o que estamos colhendo hoje. Tivemos o maior número de horas de frio dos últimos 20 anos no inverno, uma primavera pouco chuvosa e, agora, um verão equilibrado e sem chuva, dando condições para colher”, afirmou Obino Filho.
Este ano, o estado gaúcho deve produzir 800 mil litros de azeite. E mesmo com o número expressivo deve mirar em aumento da produtividade, acrescentou o presidente do Instituto. “Não adianta a gente ter o melhor azeite do mundo se não tem azeitona no pé. Dentro da porteira, vamos apostar em pesquisa, em estudo, entender onde estamos acertando, ou errando”, frisou.
Apesar do volume recorde esperado, a produção nacional ainda é pequena e representa de 1% a 1,5% do consumo interno. O apetite pelo produto brasileiro é influenciado pela escala de produção de azeites importados, cujos preços costumam ser mais competitivos – e atrativos – na gôndola.
Centro de pesquisa
O início da colheita também foi ensejo para que entidades assinassem o protocolo de intenções para criação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul. A iniciativa envolve a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o Ibraoliva.
Na ocasião, o governador do estado, Eduardo Leite, mencionou que a olivicultura é um segmento importante para a diversificação da matriz produtiva e para fortalecer a economia regional. “O avanço da atividade demonstra o potencial do Rio Grande do Sul para se consolidar como referência nacional na produção de azeites de alta qualidade”, afirmou durante o evento.
Em vinte anos, a atividade cresceu mais de 100% no estado. Em 2002, apenas um município produzia azeite e em 2023 este número saltou para 110 cidades, segundo os dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul.
A produção ainda é concentrada em polos da Campanha e da Serra do Sudeste —, mas a cultura já está bastante disseminada no estado. A atividade emprega, em média, de 2 mil a 3 mil postos de trabalho diretos e indiretos. De acordo com o Ibraoliva, o setor movimenta cerca de R$ 140 milhões na economia gaúcha.
Em nota no último dia 9 de abril, o engenheiro florestal da Emater/RS-Ascar, Antônio Borba, apontou que a qualidade do azeite gaúcho foi favorecida pela colheita precoce de frutos ainda verdes, o que eleva a concentração de compostos fenólicos e a estabilidade oxidativa, tornando o perfil sensorial mais intenso, com notas herbáceas características.

