As exportações de café do Brasil registraram queda de 7,8% em 2026, segundo dados divulgados pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Esse recuo expressivo reflete incertezas geopolíticas e menor oferta do produto no mercado brasileiro.
De acordo com os números apresentados pelo Cecafé, os embarques somaram 3 milhões de sacas de 60 quilos em março, representando uma queda de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita cambial foi de 1,125 bilhão de dólares, um recuo de 15% comparado a março de 2025.
No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra, que considera o período desde julho do ano passado, as exportações chegaram a 29 milhões de sacas, 21% abaixo do mesmo período da safra anterior. Apesar da queda no volume, as remessas renderam US$ 11,4 bilhões, uma alta leve de 2,9% ante o apurado entre julho de 2024 e março de 2025, beneficiada pelos preços mais altos praticados no início do período.
Perda de participação no mercado internacional
Segundo Marcos Matos, diretor executivo do Cecafé, o Brasil enfrenta um cenário de entre-safra, com menor disponibilidade do produto. Os produtores que ainda possuem estoques estão aguardando momentos mais favoráveis para comercialização, o que gera um problema adicional: com a falta de café no mercado, o Brasil começa a perder market share no cenário internacional, abrindo espaço para concorrentes como o Vietnã.
O cenário geopolítico também tem impactado significativamente o setor. Matos cita como fatores negativos a crise no Oriente Médio, considerada uma das maiores desde os anos 70, o aumento do custo de vida em escala global, os custos logísticos crescentes na Europa, além das tensões bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.
Mudança no ranking de importadores
Os Estados Unidos, que eram até recentemente o maior comprador de café brasileiro, perderam essa posição no ano passado devido às tarifas que incidiram sobre o produto até 20 de novembro. No primeiro trimestre de 2026, a Alemanha se manteve como maior importador dos cafés do Brasil, respondendo por 14,1% dos embarques (quase 1,2 milhão de sacas), mesmo com uma queda de 15,63% em relação ao ano anterior.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição com 936 mil sacas adquiridas, mas com um recuo expressivo de 48,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Completam o top 5 de importadores a Itália (885 mil sacas, alta de 10%), Bélgica (527 mil sacas, avanço de 4,5%) e Japão (440 mil sacas, declínio de 35%).
Há, no entanto, uma perspectiva positiva para o setor. A Conab projeta uma safra recorde de café para este ano, com a colheita iniciando em abril para o café conilon e robusta, e a partir de maio para o café arábico. Com isso, espera-se uma mudança significativa, com retomada da competitividade para o café brasileiro em comparação com os demais concorrentes, desde que o cenário geopolítico se torne menos conturbado.
