Os Estados Unidos e o Irã estão adotando posições maximalistas nas atuais negociações sobre a guerra, o que dificulta qualquer avanço para um acordo. A avaliação é de Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), em entrevista ao Live CNN desta terça-feira (14)..
Segundo o especialista, o Irã intensificou suas demandas durante o último fim de semana, incluindo o descongelamento de seus ativos bloqueados internacionalmente, algo que não estava na pauta inicial das negociações. Por outro lado, os Estados Unidos mantêm exigências rígidas, especialmente relacionadas ao programa nuclear iraniano.
“Os dois lados aqui estão com pedidos maximalistas no campo das relações internacionais. De um lado e de outro, tanto os Estados Unidos quanto o Irã”, explicou Alexandre.
O professor destacou que, apesar do fracasso das conversas no último fim de semana, os canais de comunicação permanecem abertos, com o Paquistão desempenhando um papel importante como mediador.
Um dos principais pontos de divergência é o enriquecimento de urânio pelo Irã. Os Estados Unidos podem exigir a suspensão dessa atividade por períodos que variam entre 10 e 20 anos, enquanto o Irã resiste em abrir mão dessa capacidade.
“No caso do Irã, bem provável que para sair esse acordo tenha que deixar de lado alguns pedidos que surgiram do nada no final de semana”, avaliou.
A situação é agravada pelo atual contexto político iraniano, com uma liderança mais alinhada à Guarda Revolucionária e considerada mais radical que o antigo líder supremo Ali Khamenei.
“Os Estados Unidos têm de entender que o Irã tem algumas armas na mão para poder sobreviver durante certo tempo e ele não vai abrir mão disso”, concluiu o especialista, sugerindo que ambos os países terão que ceder em alguns pontos para que um acordo seja possível.

