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Educação inclusiva exige ação coletiva e esbarra em desafios nas escolas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Educação inclusiva exige ação coletiva e esbarra em desafios nas escolas

Para que a educação seja inclusiva nas salas de aula do Brasil, é preciso que a gestão escolar, os docentes e as famílias falem a mesma língua. No Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva, celebrado nesta terça-feira (14), especialistas afirmam que o aprendizado direcionado aos diferentes perfis de alunos deve ser um projeto coletivo.

“Um dos principais pontos é a formação continuada dos professores. Muitas vezes eles não se sentem preparados para atender a essa diversidade e necessidades educacionais. Podemos somar a isso tudo a escassez de profissionais de apoio específico, como auxiliares e equipes multidisciplinares”, diz o gestor, professor e coordenador Almir Vicentini. “Cada estudante é único.”

Ele afirma que a implementação de práticas inclusivas deve partir de um compromisso coletivo em que todos se sintam responsáveis pelo desenvolvimento dos estudantes com algum tipo de deficiência, transtornos de desenvolvimento ou com altas habilidades.

“A gente não consegue resultado se as pessoas não se conversam. Além da formação continuada, o papel fundamental da gestão deve ser o prático, promover o planejamento coletivo e criar espaços de troca entre docentes”, completa.

Capacitação dos docentes é parte central

A necessidade de formação continuada é um ponto também abordado pela coordenadora pedagógica de inclusão Regiane Fagotto. Ela afirma que muitos dos docentes não estudaram o tema da inclusão na faculdade e que, por isso, a adaptação pode ficar debilitada nos anos posteriores.

“Nas universidades, a mudança é urgente. A inclusão ainda é tratada como uma disciplina isolada ou optativa em alguns casos, quando deveria ser um eixo central durante toda a formação docente”, ressalta.

Segundo ela, a lacuna continua a ser sentida mesmo com cursos de formação, que podem ser escassos e sobrecarregar o professor com aulas em horários fora do período de trabalho.

“Há ainda um desafio muito sutil, mas poderoso: o emocional. Trabalhar com inclusão exige do professor uma escuta ativa, uma sensibilidade”, afirma. “A vontade existe. Os professores brasileiros são extraordinários para se reinventarem, mas vontade sem suporte se esgota rapidamente.”

Mesmo que a gestão escolar seja receptiva a mudanças, existem travas que muitas vezes impedem uma educação para todos. Os dois especialistas concordam que a legislação educacional brasileira favorece a inclusão, mas entre textos de lei e a aplicação, existe um outro mundo.

Regiane diz que, na esfera governamental, é preciso de políticas públicas com financiamento na prática e contínuo. “O Brasil tem uma legislação linda, a Lei Brasileira de Inclusão, a Política Nacional de Educação. Precisamos de investimento em salas de recursos multifuncionais, em profissionais de apoio, em material pedagógico acessível.”

Ensino que cobra o padrão a todos

Já Vicentini destaca os desafios de aprendizagem em um sistema de ensino que foca na homogeneidade e que cobra de todos os alunos os mesmos objetivos, da mesma forma e ao mesmo tempo.

“A própria formação da equipe para adaptar currículo e avaliar de uma forma inclusiva, isso não é previsto na formação docente. Um exemplo prático pode ser em uma aula de leitura e interpretação de texto: o professor trabalha a mesma história, mas oferece múltiplas formas de acesso ao conteúdo, com leitura em voz alta, texto impresso com imagens, áudio da história e vídeo.”

Vicentini é diretor da escola Nahim Ahmad, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, e diz ter implementado um processo de inclusão que capacita professores, inspetores e monitores para respeitar a individualidade de cada aluno.

Segundo ele, o monitor é um profissional que acompanha o aluno neurodivergente durante as aulas e o instrui nas atividades e lições pedidas pelo professor.

“Os três profissionais são capacitados para atuarem também no manejo do aluno, ou seja, numa crise que traga violência, desorientação e ‘perigo’ aos outros estudantes. Eles são capacitados a lidar com técnicas específicas.”

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