A Lei nº 15.357/2026, sancionada pelo governo federal e publicada no Diário Oficial da União em março, autoriza a venda de medicamentos em supermercados, mas com uma série de regras rígidas que devem ser seguidas pelos estabelecimentos.
Essa recente mudança na legislação brasileira deve trazer um novo cenário competitivo para o setor farmacêutico. Apesar do impacto potencial, representantes do setor farmacêutico demonstram confiança na força de suas marcas e no relacionamento estabelecido com os consumidores.
Essa é a visão de Marcos Colares, CEO do grupo DPSP, que reúne as redes Drogaria São Paulo e Drogaria Pacheco, durante entrevista ao É Negócio. O programa vai ao ar neste domingo (12).
De acordo com Colares, os supermercados já tiveram farmácias nos últimos 20 anos e agora estão voltando com força para este segmento. No entanto, o empresário acredita que, da forma como a lei foi estabelecida, o atendimento das redes farmacêuticas tradicionais continuam preservadas.
Especialização como diferencial competitivo
Um dos principais argumentos apresentados por Colares, é que o trabalho com medicamentos e cuidados com a saúde é muito diferente de outros segmentos do varejo. “Trabalhar com farmácia, trabalhar com cuidado é muito diferente. É único”, afirmou, destacando que esse é o core business das redes farmacêuticas, que acaba conferindo uma vantagem competitiva frente aos supermercados.
A confiança e o relacionamento com os clientes são apontados como pilares fundamentais para o setor farmacêutico. O executivo enfatizou a importância desses fatores: “Esse relacionamento, essa força de marca, a confiança dos nossos clientes e toda a relação”, elementos que, segundo ele, foram construídos ao longo de anos de atuação especializada.
Possibilidades de parcerias
Questionado sobre possíveis colaborações com supermercados, o entrevistado revelou que já existem algumas lojas farmacêuticas operando dentro de estabelecimentos do setor alimentício. “A gente tem algumas lojas dentro de supermercados hoje, a gente já tem essa relação, a gente está super aberto a isso, a conversar, a fazer negócio com eles”, explicou.
No entanto, ele também apontou limitações práticas para essa expansão, observando que nem todos os supermercados de bairro têm espaço físico adequado para abrigar uma farmácia completa dentro de suas instalações, o que pode representar uma barreira para a entrada massiva desses estabelecimentos no setor farmacêutico.
Modelos de negócio
A lei estabelece que os supermercados poderão escolher entre dois modelos de negócio: administrar a farmácia diretamente ou firmar contrato com uma rede de drogarias já licenciada. Independentemente da opção escolhida, as exigências serão as mesmas aplicadas às farmácias tradicionais.
Na prática, isso significa que o consumidor não encontrará medicamentos misturados aos demais produtos do supermercado. A medida visa facilitar o acesso da população aos medicamentos, mas mantendo os padrões de segurança e qualidade exigidos pela legislação sanitária vigente.
É Negócio
O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil, Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil. Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.
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