Aliados do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defendem começar a testar uma série de nomes de mulheres como potenciais vice na chapa dele.
O cálculo é de que esse movimento serviria para ampliar a base de Flávio no eleitorado feminino e diminuir a rejeição que ele enfrenta nessa parcela da população.
Em parte, ainda que mais organicamente, essa estratégia já começou com os nomes das deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) sendo ventilados e citados em reuniões.
Membros do PL afirmam ser importante avaliar a receptividade a cada um dos nomes perante o eleitorado feminino e até mesmo o mundo político, e o quanto cada opção pode agregar à candidatura de Flávio. Para um de seus aliados, o ideal é inclusive encomendar pesquisas internas com diversas opções de nomes de mulheres aptas a assumirem a tarefa.
O entorno de Flávio considera que ter uma mulher como vice aproximará o pré-candidato desse público, que tem aderido menos ao bolsonarismo ao longo dos últimos anos. Também seria positivo que a escolhida tivesse perfil conservador, se possível evangélica ou católica, segundo relataram aliados do senador à CNN.
Clarissa Tércio, por exemplo, é evangélica (da Assembleia de Deus) e nordestina, o que também poderia, em tese, contar pontos a favor dela, já que a região é um dos focos da campanha de Flávio por ser de tendência lulista.
À CNN, Clarissa elogiou o trabalho feito pela família Bolsonaro, disse que aceitaria o convite a vice, caso fosse feito, mas ressaltou que a ideia não partiu dela e que nem conversou sobre o assunto com Flávio. A princípio, ela tentará a reeleição à Câmara dos Deputados.
“Está nas mãos de Deus”, afirmou.
Quanto a Simone Marquetto, Flávio já disse que gostou bastante dela e a classificou como “um grande quadro”, mas que a conheceu há poucos dias.
A candidata a vice “do sonho de consumo” de Flávio é a senadora Tereza Cristina (PP-MS). No entanto, até o momento, ela tem se mostrado resistente à ideia e está inclinada a se focar na reeleição ao Senado.
“Para mim, [Tereza] é uma das maiores referências do mundo no agro do Brasil. Nós tivemos o privilégio de tê-la como ministra do governo Bolsonaro e, mais para frente, vamos pensar com calma. Não tem como antecipar nada, mas fico muito feliz de a gente poder ter ela entre as possibilidades”, afirmou Flávio em evento do agronegócio em Campo Grande, na noite desta quinta-feira (9).
Flávio Bolsonaro já tem investido em um discurso em defesa da representação feminina em postos de comando e órgãos públicos.
Nesta semana, por exemplo, apoiou o nome da deputada federal Soraya Santos (PL-RJ) a uma vaga de ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), em detrimento de um dos nomes mais próximos ao pai, o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) — também com menos experiência política e mais dificuldades de angariar votos internamente na Câmara.
Michelle Bolsonaro (PL), esposa de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, tem trabalhado junto às mulheres para continuar com o legado do ex-presidente, mas ainda não participa ativamente da pré-campanha do enteado.
Fora das opções entre mulheres, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) é hoje o principal cogitado, especialmente pela massa de votantes e força decisiva que o estado tem nas eleições presidenciais.
Mesmo assim, aliados e o próprio Flávio ressaltam ser cedo demais para qualquer definição. Nenhum convite foi formalizado até o momento. Isso só deve acontecer a partir de junho.

