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Agente de IA invade órgãos do governo brasileiro em novos ataques

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Agente de IA invade órgãos do governo brasileiro em novos ataques

Criminosos usaram agentes de inteligência artificial (IA) para invadir órgãos governamentais brasileiros, com operações conduzidas quase sem intervenção humana. O grupo responsável pelos ataques desenvolveu duas estruturas próprias para automatizar as invasões, com diferentes níveis de autonomia. As informações fazem parte de um relatório da empresa de cibersegurança CrowdStrike.

Uma das estruturas segue um roteiro predefinido durante o reconhecimento dos alvos, mas deixa a IA escolher a próxima ação entre as opções disponíveis. A outra oferece autonomia total e o agente executa procedimentos por conta própria ou distribui tarefas entre diferentes agentes especializados, que trabalham simultaneamente.

As operações usaram principalmente modelos da família Claude, como Claude Opus 4.8 e Claude Sonnet 4.6. Para evitar interrupções, o operador também configurou acessos alternativos aos modelos do ChatGPT, DeepSeek e Llama 3, este último em instâncias locais. Dessa forma, os agentes poderiam continuar as atividades caso o serviço principal ficasse indisponível.

O relatório também identificou características do operador responsável pela campanha. Ele fala chinês, acessa os modelos de IA por meio de um serviço intermediário e configurou provedores alternativos para manter as operações caso o serviço principal fique indisponível. Além disso, instruiu os agentes a considerar qualquer alvo como autorizado e nunca questionar o escopo da operação.

A pesquisa identificou quatro novos grupos de ameaças que atuaram entre maio e agosto de 2026. Todos deixaram seus sistemas de invasão em diretórios abertos, o que permitiu à CrowdStrike examinar como os agentes de IA funcionavam e executavam as tarefas.

O levantamento também aponta um crescimento expressivo dessa modalidade de ataque. Segundo a telemetria da CrowdStrike, o segundo semestre de 2026 já registrou três vezes mais intrusões envolvendo agentes de IA do que todo o primeiro semestre do ano.

inteligência artificial agente de IA

Ataques com agentes de IA atingem outros países da América Latina

Além do Brasil, as operações identificadas pela CrowdStrike atingiram órgãos governamentais da Colômbia e empresas brasileiras e norte-americanas de seis setores: biotecnologia, saúde, alimentos e bebidas, varejo, tecnologia e turismo.

A empresa também identificou ataques contra pelo menos 15 organizações de saúde na Argentina. Em uma das invasões, dois agentes de IA — um supervisor e outro executor — trabalharam juntos para acessar a rede da vítima, comprometer o controlador de domínio e roubar credenciais e registros médicos em cerca de 20 minutos.

Para driblar as restrições de segurança dos modelos, os criminosos instruíram as IAs a tratar as operações como testes de invasão autorizados, conhecidos como pentests. Assim, conseguiram executar comandos e avançar nos ataques sem que os sistemas questionassem a legitimidade das ações.

Para Jeferson Propheta, vice-presidente da CrowdStrike para a América do Sul, “os casos mostram que agentes de IA já permitem que grupos com diferentes níveis de habilidade conduzam intrusões em velocidade de máquina, inclusive contra entidades no Brasil. As organizações brasileiras precisam assumir que o volume e a velocidade desses ataques vão crescer e preparar sua capacidade de detectar e responder na mesma velocidade”, afirmou.

No entanto, o relatório da CrowdStrike não revelou os nomes dos órgãos públicos e das empresas brasileiras afetadas. A companhia também não divulgou estimativas sobre possíveis prejuízos financeiros ou a extensão total dos dados comprometidos.

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