Óculos inteligentes estão ficando mais comuns, especialmente entre criadores de conteúdo que usam os aparelhos para gravar conteúdo para redes sociais, mas usuários mal-intencionados estão aproveitando a tecnologia para filmar pessoas sem que elas saibam que estão sendo gravadas.
Há tantos casos registrados que a Meta – marca mais popular desse tipo de aparelho – já avisou que vai processar quem faz mau uso de seus produtos. Foi esse o tema que Adriano Ponte, apresentador do Canaltech, levou para o CNN Tech desta semana, ao vivo na CNN Brasil.
Durante o programa, Adriano destacou o quão imersiva e avançada a tecnologia se tornou. Para ilustrar, ele fez uma demonstração ao vivo utilizando a inteligência artificial Gemini Live conectada aos óculos.
Em questão de segundos, a IA foi capaz de descrever o estúdio com precisão e detalhar as roupas e até os óculos que a apresentadora Elisa usava no momento, comprovando que o dispositivo "vê e entende" tudo ao seu redor em tempo real.
O bloqueio da Meta e as regras contra os "creeps"
Para tentar frear a espionagem e a gravação não autorizada de terceiros, a Meta implementou medidas severas:
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Banimento de contas famosas: o chefe do Instagram, Adam Mosseri, confirmou que a plataforma está banindo contas de usuários chamados de "creeps" (pessoas que gravam estranhos de forma bizarra ou sem consentimento). Duas contas que faziam esse tipo de conteúdo e somavam mais de 1 milhão de seguidores já foram retiradas do ar.
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Processo contra alterações físicas: os óculos da Meta possuem uma luz de LED frontal que pisca para avisar as outras pessoas que a câmera está gravando. A empresa anunciou que vai processar qualquer companhia ou indivíduo que ofereça serviços para adulterar, cobrir ou desativar fisicamente esse LED de privacidade.
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Implicações no Brasil: a gravação e publicação de vídeos de terceiros sem autorização fere diretamente o direito de imagem (garantido pelo Código Civil) e pode esbarrar em sanções da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Acessibilidade x Invasão de Privacidade
Adriano lembrou que a discussão sobre etiqueta tecnológica existe desde a época do Google Glass (entre 2013 e 2016), quando surgiu o termo pejorativo "Glasshole" para descrever usuários invasivos. O grande desafio atual, no entanto, é equilibrar a privacidade com as gigantescas portas que essa tecnologia abre para a acessibilidade.
O recurso de audiodescrição em tempo real, como o demonstrado no programa, é uma ferramenta fenomenal e revolucionária para pessoas com deficiência visual, permitindo que elas entendam o ambiente ao redor de forma independente.
Para quem busca os recursos inteligentes, mas não quer esbarrar em polêmicas de privacidade, existem alternativas no mercado. Modelos como os antigos óculos da Amazon dispensam as lentes com câmeras e trazem apenas hastes mais grossas equipadas com microfones, permitindo o uso da assistente de voz e de GPS sem filmar ninguém.
Se você se interessou pelos óculos inteligentes, mas precisa de correção visual, não é necessário usar "um óculos por cima do outro".
O especialista do Canaltech explicou que é perfeitamente possível comprar a armação inteligente original e levá-la a uma ótica de confiança para a montagem de lentes de grau customizadas, garantindo conforto e estilo no dia a dia.
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