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Testamos o MEC Idiomas: como é o concorrente do Duolingo feito pelo governo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Testamos o MEC Idiomas: como é o concorrente do Duolingo feito pelo governo

O MEC Idiomas, aplicativo do governo federal para aprendizado de idiomas, ficou disponível nesta quarta-feira (3). Ele foi anunciado junto do lançamento do MEC Livros no primeiro semestre de 2026, mas ainda estava em desenvolvimento.

O app conta com aulas de inglês e espanhol, dividas em módulos, que possuem aulas e exercícios de fixação em formato gamificado, semelhante ao Duolingo.

Testei o MEC Idiomas, terminando uma unidade em cada um dos idiomas e, abaixo, trago as impressões sobre o aplicativo. Fiz o teste de proficiência em ambas, e comecei pelo nível B2 - Intermediário Superior (aparentemente o mais avançado possível para começar) em inglês, e no A1 - Iniciante, em espanhol.

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Como funciona o MEC Idiomas

As aulas são compostas de três etapas: aprender, praticar e desafio. A parte de “aprender” é uma mini-aula sobre algum tema ou situação. No meu caso, em inglês, as aulas abordaram exemplos de encontros rápidos, conversas entre pessoas que não se vêem há muito tempo e comentários sobre estar sem tempo. 

Essa fase inicial é onde você aprende o conteúdo, com explicação gramatical e exemplos de uso. É essa a base que você terá para as próximas partes, de exercícios.

Em “praticar” você recebe alguns exercícios de fixação, que são, basicamente, repetição do que foi visto durante a aula inicial. Prestando atenção, você passa aqui com 100% sem problemas. 

Vale ressaltar que tanto a aula quanto as lições são escritas em português, claro, com os termos e palavras ensinados em inglês (ou espanhol). 

Já os “desafios” são praticamente a mesma coisa que vemos em “praticar”. A diferença, é que eles não necessariamente fazem parte diretamente da mini-aula. Ou seja, não é só fixação/repetição, você precisa “queimar” um pouco mais de neurônios.

Depois de seis aulas, há um “checkpoint”, que é uma revisão da unidade. Foram 15 exercícios com base nas lições, bem parecidos com os anteriores.

mec idiomas exemplo
O app usa animais da nossa fauna e cultura (como o vira-lata caramelo) como personagens do jogo (Imagem: Captura de tela/Marcelo Fischer/Canaltech)

Como são os exercícios?

Tanto em inglês quanto em espanhol, as aulas são compostas por exercícios parecidos com os que vemos no Duolingo. Das 12 aulas que fiz ao todo, me deparei com lições como:

  • Selecionar a palavra que falta para completar uma frase;
  • Escolher as letras que formam a palavra que falta em uma frase;
  • Ligar áudios às suas respectivas frases faladas;
  • Ligar áudios/textos ao que representam.

Até o momento, não vi exercícios em que pratico a fala ou que é necessário digitar.

Impressões

Ao todo, completei duas unidades com um total de 12 aulas, em torno de 1 hora. Em espanhol tive a experiência de ir do mais básico (A1) e em inglês do mais avançado possível (B2).

O grande diferencial do MEC Idiomas são as explicações. Aqui, de fato, há uma aula. Uma mini-aula. Enquanto no Duolingo você aprende com método mais voltado à exposição e repetição, aqui é na base da fórmula explicação breve + exercícios rápidos.

Em espanhol, o básico é, de fato, básico. Você começa pela parte de se apresentar, como “soy Marcelo” e “eres João”. Inclusive, na primeira unidade, em dois momentos durante a aula há um vídeo, em torno de 1 minuto e meio, de uma pessoa explicando mais à fundo o tema.

Em inglês, idioma que já domino, senti bastante facilidade na unidade feita.

Comparando novamente com o Duolingo, senti que o MEC Idiomas é voltado para quem tem pouco ou nenhum conhecimento da língua em questão, e deseja realmente aprender. Mas, para quem já sabe e quer praticar ou adquirir vocabulário, o Duolingo ainda sai na frente.

MEC Idiomas app
O MEC Idiomas é ideal para aprender o idioma do zero (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

O app do passarinho verde possui um método gamificado mais interessante, em que você realmente quer voltar todos os dias. A identidade visual é mais chamativa e apelativa, e tudo se encaixa, está em seu devido lugar. 

Já no MEC Idiomas, o método “de jogo” não sobressai tanto, mas você aprende e pratica mais rápido.

Talvez você fique mais de 1 hora por semana no MEC Idiomas, enquanto no Duolingo fica 5 minutos por dia. São propostas diferentes. Mas, o ponto negativo, e que fica mais evidente no app do governo, é a usabilidade.

Usabilidade

Aqui é o ponto fraco do MEC Idiomas. A experiência é de que estou usando um aplicativo ainda em fase beta, não finalizado. Para quem está acostumado com o Duolingo, pode estranhar. 

A interface é intuitiva, não há segredo na forma como usar. Ponto positivo. Mas os bugs acontecem com certa frequência. Deixo abaixo quatro situações que me ocorreram em 1 hora de uso:

  • Bug 1: toquei no áudio e ele não tocou, mas, depois de um tempo parado, tocou;
  • Bug 2: Era necessário completar com a palavra “everything’s”, mas não havia a letra “h” disponível. Na segunda tentativa da mesma lição, faltava não só a letra “h” mas também a letra “n”;
  • Bug 3: a barra de “Continuar” estava sobre as letras que eu precisava para completar a palavra;
  • Bug 4: o exercício 4/5 bugou, ao enviar a resposta a tela não mudou, e, depois de tentar novamente, voltou ao 1/5. E continuou com erro conforme eu tentava, precisei fechar e recomeçar.

    bugs MEC Idiomas
    Exemplos dos bugs que me deparei durante o uso (Imagem: Capturas de tela/Marcelo Fischer/Canaltech)

O intuito do aplicativo é democratizar o acesso à idiomas estrangeiros, e cumpre seu papel com eficiência. Inclusive, com certificados do Gov.br em sua conta ao completar os níveis. Mas os bugs precisam ser corrigidos o quanto antes para não atrapalhar a experiência e aprendizado do usuário.

Como usar o MEC Idiomas

Para acessar o MEC Idiomas, basta entrar com sua conta Gov.br no site (mecidiomas.mec.gov.br) ou pelo aplicativo (iOS | Android).

Leia a matéria no Canaltech.

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