O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou em entrevista exclusiva ao Poder360 que nunca teve uma “cota” de emendas do Congresso e atribuiu a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino de bloquear recursos vinculados a ele a uma interpretação equivocada sobre seu papel na distribuição das verbas.
Na 6ª feira (10.jul), o ministro do STF determinou a suspensão de emendas sob suspeição de terem sido indicadas diretamente pelo dirigente –que não tem cargo eletivo. A Procuradoria Geral da República foi contra. Leia a íntegra da decisão (PDF – 457 kB).
Segundo Valdemar, sua atuação consiste em receber prefeitos, identificar demandas apresentadas pela base do partido e sugerir aos líderes da bancada e aos presidentes de comissões que encaminhem as emendas. Afirmou que a decisão final cabe aos congressistas e que esse procedimento é comum entre todos os presidentes de partido.
“Todos os presidentes fazem isso. Isso é natural. Não é determinação. É uma sugestão que a gente faz e o líder acata. Ou não acata.”
Segundo Valdemar, as regras atuais para as emendas são boas e seu papel é o de uma espécie de maestro.
“Tinha uma história lá atrás de se dar uma cota para cada presidente de partido. Eu fui contra isso. Falei: ‘Para mim não precisa dar’. Por quê? Porque os deputados sempre buscam me ouvir, como quem conhece bem a realidade do país e do partido, e acabam atendendo parte de nossas sugestões. Nunca tive problema“, disse.
O presidente do PL afirmou que não tem qualquer poder para indicar diretamente os recursos.
“Eu recebo o prefeito que vem falar comigo porque não tem deputado que ponha emenda para ele. Se o pleito tem sentido, eu ponho ele na lista e sugiro para a liderança e para a comissão. O líder encaminha essa emenda. Não sou eu que encaminho. Eu só faço a sugestão. Eu não tenho poder para encaminhar.”
Para Valdemar, o ministro Flávio Dino pode ter interpretado que existia uma cota formal sob seu controle. Hipótese que o presidente do PL nega de forma peremptória.
“Eu não tenho cota nenhuma. Vou continuar fazendo isso o ano que vem. Vou continuar recebendo os prefeitos. Nossa base tem que ser ouvida e esse é o meu papel como presidente. Nós sabemos quem está melhor, quem está pior, quem precisa mais, quem não precisa.”
Patrimônio bloqueado
O dirigente também contestou a informação de que teria R$ 119 milhões bloqueados como patrimônio pessoal. Segundo ele, o valor se refere ao montante das emendas analisadas na investigação.
“Aquilo não é o que eu tenho de dinheiro na vida. Se eu juntar tudo, não tenho nem R$ 10 milhões. Aquilo é um número das emendas. Bloquearam minha conta“, contou.
Apesar de entender que não havia necessidade da operação, sobretudo porque a PGR foi contra, Valdemar afirmou não ter preocupação com o desfecho da investigação.
“O problema seria se tivesse mandado emenda para algum lugar duvidoso, para fundação. É tudo para prefeitura: 80% é saúde, custeio.”
Momento político
Na avaliação do presidente do PL, a operação ocorre em um momento de desgaste político do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reflete um ambiente de preocupação da esquerda com a disputa eleitoral de 2026.
“O Lula teve uma queda no Nordeste. O pessoal está sentindo muito no supermercado. Quem ganha R$ 2.000, R$ 3.000 por mês não está conseguindo comprar o que comprava. Na minha opinião, o Lula já perdeu a eleição. Isso bateu um desespero no pessoal, na própria esquerda. Estou falando do governo, não do Dino.”
Valdemar também chamou atenção para o fato de a operação ter sido realizada na mesma semana em que uma pesquisa mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Lula em cenários de 1º e 2º turno. Ele se referia à pesquisa Gerp, que mostrou Flávio com 45% e Lula com 42% nos cenários de 2º turno.
“Eles querem acabar com a gente. Querem prejudicar a direita. A guerra é essa aí.“
Críticas à imprensa
O presidente do PL também criticou a cobertura de parte da imprensa sobre a operação e disse acreditar que alguns veículos receberam orientação para não ouvi-lo antes da publicação das reportagens.
“Quase todos os canais tinham me ligado de manhã, antes da decisão. Marcamos para me entrevistar à tarde, porque eu estava voando para São Paulo. Depois, nenhum me ligou à tarde. Eu liguei para alguns de volta e falaram: ‘Estamos vendo um espaço’. E nada. Receberam uma ordem: ‘Não põe esse cara’.”
Segundo Valdemar, diversos jornais publicaram reportagens sobre o caso sem entrevistá-lo.
“Hoje pegaram todos os jornais do Brasil. Eu sou manchete de todos os jornais do Brasil sem me entrevistarem. Só tem a minha defesa que os advogados colocaram na internet.”

