O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou em entrevista exclusiva ao Poder360 que a operação determinada pelo ministro do STF Supremo Tribunal Federal Flávio Dino contra emendas parlamentares “prejudica” a direita. Segundo ele, há uma guerra para tentar acabar com as chances eleitorais do partido.
Para Valdemar, o momento da decisão –na mesma semana em que uma pesquisa mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de 2º turno– reforça essa interpretação.
“Eles querem acabar com a gente. Querem prejudicar a direita. A guerra é essa aí.”
Na avaliação de Valdemar, o atual momento é ruim para o governo Lula. Dino foi ministro da Justiça do petista antes de ser indicado para o cargo que hoje ocupa na Suprema Corte. Os 2 são amigos há décadas.
“O Lula teve uma queda no Nordeste. O pessoal está sentindo muito no supermercado. Quem ganha R$ 2.000, R$ 3.000 por mês não está conseguindo comprar o que comprava. Na minha opinião, o Lula já perdeu a eleição. Isso bateu um desespero no pessoal, na própria esquerda. Estou falando do governo, não do Dino“, declarou.
Na 6ª feira (10.jul), Dino determinou a suspensão de emendas sob suspeição de terem sido indicadas diretamente pelo dirigente do PL –que não exerce mandato eletivo. A PGR (Procuradoria Geral da República) manifestou-se contra a medida. Leia a íntegra da decisão (PDF – 457 kB).
O presidente do PL também afirmou que nunca teve uma “cota” de emendas do Congresso e atribuiu a decisão do ministro a uma interpretação equivocada sobre seu papel na distribuição dos recursos.
“Eu não tenho cota nenhuma. Vou continuar fazendo isso o ano que vem. Vou continuar recebendo os prefeitos. Nossa base tem que ser ouvida e esse é o meu papel como presidente. Nós sabemos quem está melhor, quem está pior, quem precisa mais, quem não precisa.”
Segundo Valdemar, sua atuação consiste em receber prefeitos, identificar demandas apresentadas pela base do partido e sugerir aos líderes da bancada e aos presidentes de comissões que encaminhem as emendas. Afirmou que a decisão final cabe aos congressistas e que esse procedimento é comum entre todos os presidentes de partido.
“Todos os presidentes fazem isso. Isso é natural. Não é determinação. É uma sugestão que a gente faz e o líder acata. Ou não acata.”
