O Amazonas inicia a transição para o inverno amazônico, mas o fenômeno El Niño deve causar chuvas abaixo da média na Região Norte. Foto: Divulgação
O Amazonas começa a entrar no período de transição para o inverno amazônico, época em que as chuvas se tornam mais frequentes. Neste ano, porém, o fenômeno El Niño pode influenciar esse período. As projeções climáticas indicam tendência de chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte, segundo a meteorologista Andrea Ramos.
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O El Niño é um fenômeno climático que altera a circulação da atmosfera e o transporte de umidade. Essas mudanças podem modificar a distribuição das chuvas em diferentes regiões do mundo, incluindo o Brasil.
A previsão também aponta temperaturas acima dos valores esperados para o período. Em Manaus, a mudança no tempo já foi percebida. Na manhã desta sexta-feira (30), uma chuva intensa atingiu diferentes bairros da capital, após dias de calor e fumaça. Em um intervalo de 40 minutos, a Defesa Civil emitiu dois alertas para risco de alagamentos e deslizamentos de terra.
O órgão orientou os moradores a se afastarem de encostas e procurarem abrigo seguro.
Segundo Andrea Ramos, apesar de novembro marcar o retorno gradual das chuvas, a influência do El Niño pode fazer com que a recuperação ocorra de maneira diferente do esperado.
“Isso significa que, embora novembro marque naturalmente o retorno gradual das chuvas, essa recuperação poderá ocorrer de maneira irregular, com períodos prolongados de calor intercalados por pancadas intensas de chuva, trovoadas e rajadas de vento”, afirma.
A especialista também alerta que a distribuição das chuvas pode afetar a recuperação dos níveis dos rios, a disponibilidade de água e a redução dos focos de queimadas e da fumaça.
“Novembro será um mês importante para acompanhar a evolução das chuvas e verificar como a atmosfera amazônica responderá ao fortalecimento do El Niño”, declarou.
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O que é o inverno amazônico?
Diferentemente de outras regiões do país, onde as estações do ano são marcadas principalmente pelas variações de temperatura, na Amazônia elas são definidas pelo volume de chuva.
Segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a região tem duas estações mais marcadas: a chuvosa, geralmente entre novembro e maio, e a menos chuvosa, entre julho e setembro. Entre elas, ocorrem períodos de transição.
A chegada do inverno amazônico está relacionada à posição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), faixa de nuvens que transporta umidade do Oceano Atlântico para o interior da Amazônia.
Durante o verão no Hemisfério Sul, entre dezembro e maio, esse sistema se desloca para o sul e favorece a formação de chuvas na Amazônia Central e no Norte do país.
A floresta também tem papel importante nesse processo. As árvores liberam vapor de água para a atmosfera por meio da evapotranspiração. Parte dessa umidade retorna à superfície em forma de chuva, em um ciclo conhecido como reciclagem da água.

Chuva em Manaus
A chuva desta sexta-feira chegou após oito dias consecutivos de fumaça intensa encobrindo Manaus. Antes desse período, em 22 de outubro, 14 dos 15 sensores de qualidade do ar da capital registravam níveis considerados bons, depois de duas semanas de fumaça provocada por queimadas.
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A chuva também provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica em Manaus e em municípios da Região Metropolitana.
Em nota, a concessionária Âmbar Energia informou que os serviços de manutenção e normalização do sistema serão retomados quando as condições meteorológicas permitirem.
Manaus se aproximou da média de chuva em outubro
Até 22 de outubro, Manaus havia acumulado 95,2 milímetros, segundo a estação do Inmet na capital. O volume correspondia a 83,5% da média climatológica prevista para todo o mês, de 113,9 milímetros.
As chuvas começaram na noite de 21 de outubro e continuaram na manhã do dia seguinte. Na noite de quarta-feira (21), a estação registrou 28 milímetros. Na manhã de quinta-feira (22), foram mais 7,4 milímetros.
Em algumas áreas da cidade, o volume acumulado em 24 horas foi ainda maior. Dados de estações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontaram 48 milímetros no bairro Santa Etelvina, na Zona Norte, e 43 milímetros na Cidade de Deus, no mesmo período.
Até 22 de outubro, houve registro de chuva em oito dias na estação do Inmet. Confira os volumes:
- 3 de outubro: 33,8 mm;
- 13 de outubro: 5,2 mm;
- 14 de outubro: 10,2 mm;
- 18 de outubro: 4,8 mm;
- 19 de outubro: 3 mm;
- 20 de outubro: 2,8 mm;
- 21 de outubro: 28 mm;
- 22 de outubro: 7,4 mm.
*Por Jadson Lima, da Rede Amazônica AM
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