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Amazonas ‘crava’ todos os presidentes eleitos desde 1989; cientista político explica

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Amazonas ‘crava’ todos os presidentes eleitos desde 1989; cientista político explica

Amazonas e Minas Gerais mantiveram o histórico de votar no presidente eleito no 2º turno neste domingo (25). Lula venceu nos dois estados. Foto: Ricardo Stucker/PR

Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, o Amazonas manteve uma tradição que já dura quase quatro décadas: desde a redemocratização, em 1989, o candidato à presidência da República mais votado no estado é eleito.

O padrão se repetiu no segundo turno das eleições de 2026, realizado no dia 25 de outubro. No Amazonas, Lula recebeu 54,02% dos votos válidos, contra 45,98% de Flávio Bolsonaro (PL).

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Para tentar entender a coincidência, que também ocorre com o estado de Minas Gerais, o Grupo Rede Amazônica conversou com o cientista político Helso Ribeiro, que analisou o cenário local e identificou fatores que podem ajudar a explicar o comportamento do estado.

Interior tende a apoiar o PT e Manaus se mantém a centro-direita

Segundo Helso, o interior do Amazonas tem uma tendência de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto Manaus apresenta maior propensão a votar em candidaturas de centro e centro-direita.

Lula venceu a disputa em 57 dos 62 municípios amazonenses. A maior votação proporcional no Amazonas do presidente eleito ocorreu em Barreirinha, onde recebeu 90,90% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 9,10%.

O petista também teve votações expressivas em Boa Vista do Ramos, com 86,92%, em Maués, com 83,64%, e em São Paulo de Olivença, onde recebeu 83,42% dos votos válidos.

Na capital amazonense, o candidato do PL recebeu 55,83% dos votos, contra 44,17% de Lula. Em relação ao primeiro turno, Flávio teve um aumento de 2,50% na votação, enquanto o petista registrou crescimento de 18,54%.

Apuí foi o município com o melhor desempenho proporcional de Flávio Bolsonaro no estado. Ele obteve 72,55% dos votos válidos, contra 27,35% de Lula. Flávio também foi o mais votado em Guajará, Boca do Acre e Humaitá.

Para Ribeiro, a diferença entre o comportamento eleitoral da capital e o do interior é uma característica importante para compreender os resultados no estado. Ele também pondera que a coincidência entre a votação amazonense e o resultado nacional precisa ser investigada para identificar os fatores que explicam essa sequência histórica.

“Diferente de Minas, o Amazonas há uma tendência do interior apoiar maciçamente o presidente Lula e o PT. O PT principalmente, que isso ocorreu com a Dilma, com Haddad, e já a capital ser mais propensa a candidaturas mais, eu diria, voltadas para centro, para centro-direita”, afirmou.

Leia também: Lula reeleito: confira como foi a votação do 2º turno para presidente da República nos estados da Amazônia Legal

Amazonas acompanha resultado nacional desde 1989

O levantamento considera as dez eleições presidenciais realizadas entre 1989 e 2026. Nesse período, o candidato mais votado no Amazonas e em Minas Gerais também venceu a disputa nacional.

Histórico de votação para presidente da República no Amazonas desde 1989

AnoPresidente eleitoPorcentagem
1989Fernando Collor66,79%
1994Fernando Henrique Cardoso60,50%
1998Fernando Henrique Cardoso54,68%
2002Lula69,88%
2006Lula86,80%
2010Dilma Rousseff80,57%
2014Dilma Rousseff65,02%
2018Jair Bolsonaro50,27%
2022Lula51,10%
2026Lula54,02%

Fonte: TSE

Na avaliação de Helso Ribeiro, a coincidência pode estar relacionada à maneira como os eleitores dos dois estados recebem os discursos políticos apresentados durante as campanhas.

“O que a gente pode interpretar dessa coincidência que já dura 10 pleitos é que a população, tanto de Minas quanto do Amazonas, talvez assimile um sentimento de aceitação ou não de discursos que podem ser a tendência do Brasil”, disse.

Eleições 2026 no DF
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Diferenças entre os estados

Apesar do histórico semelhante nas eleições presidenciais, Amazonas e Minas Gerais têm características territoriais e eleitorais distintas, segundo Ribeiro.

O Amazonas tem aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros quadrados e 62 municípios. Minas Gerais, por sua vez, tem o segundo maior colégio eleitoral do país e um eleitorado que, na avaliação do cientista político, é bastante heterogêneo.

“Fora essa coincidência de dez eleições, a gente vê que em Minas o eleitorado é bem heterogêneo e pode até representar, de certa forma, a heterogeneidade que nós vemos da população brasileira”, afirmou.

O cientista político ressaltou que a sequência de resultados ainda demanda estudos estatísticos para explicar porque os dois estados acompanham o vencedor da eleição presidencial.

“Penso que ainda vai demandar estudos e estatísticos para verificar esta incrível coincidência”, concluiu.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

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