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Dez tecnologias querem transformar recursos da Amazônia em produtos para a indústria e a saúde

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Foto: Divulgação/Idesam

Um caroço de açaí que normalmente seria descartado pode virar matéria-prima para novos produtos. Óleos vegetais da Amazônia também podem ganhar aplicações na indústria de cosméticos, enquanto pesquisas com compostos da floresta buscam desenvolver soluções para a área da saúde. Essas são algumas das possibilidades exploradas pelas dez tecnologias selecionadas pelo Desafio Bioinovação Amazônia, iniciativa do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).

O programa recebeu cerca de 500 inscrições, com participação de equipes de mais de 80 países. A proposta é conectar pesquisadores, comunidades amazônicas e empresas para transformar recursos da biodiversidade em soluções com potencial de aplicação comercial.

A seleção foi organizada em etapas, a partir de seis desafios tecnológicos: bioativos de óleos amazônicos, óleos funcionais, novos produtos derivados da borracha, melhoria da cadeia da castanha-do-brasil, amidos funcionais e aproveitamento de resíduos de frutas.

Na segunda fase, anunciada em julho, foram selecionados 50 participantes: 25 inovadores ligados aos desafios e 25 especialistas em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Eles passaram por uma jornada de formação de equipes, aperfeiçoamento das propostas e preparação das soluções. Ao final, dez tecnologias foram escolhidas para avançar à etapa de validação.

“As indústrias indicam suas demandas tecnológicas, as comunidades apontam oportunidades nas matérias-primas com que trabalham, e o Idesam mobiliza pesquisadores e especialistas em pesquisa e desenvolvimento para construir soluções conjuntas”, explica Paulo Simonetti, gerente de inovação do instituto.

Da floresta para novos produtos

Entre as propostas selecionadas estão tecnologias para transformar caroços de açaí e resíduos de frutas em compostos de interesse industrial, além de pesquisas que aproveitam buriti e babaçu na produção de ingredientes para cosméticos.

Outras soluções procuram melhorar a extração de óleos vegetais. Uma delas utiliza enzimas para aumentar o rendimento do óleo de buriti e apresentou resultados que mais que dobraram o rendimento nos testes realizados pela equipe. O desempenho ainda precisa ser validado. Há também ferramentas com sensores e análises para identificar árvores produtoras de óleos, como a copaíba, e estimar seu potencial sem danificar as espécies.

Na área da saúde, as pesquisas incluem microagulhas dissolvíveis para liberar compostos bioativos, materiais biodegradáveis que permitem a liberação gradual dessas substâncias e soluções voltadas aos cuidados com a pele e à proteção contra insetos. As tecnologias ainda precisam avançar em testes e desenvolvimento antes de chegar ao mercado.

O desafio é realizado pelo Idesam, por meio da plataforma ZÔMA, com financiamento do Bezos Earth Fund e parceria da Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State University). A iniciativa também envolve instituições de pesquisa, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), além da Emerge Brasil e de empresas como Natura, CitroBio, Givaudan, BossaPack e Symrise.

Próximas etapas

As dez equipes terão apoio técnico, acesso à infraestrutura de pesquisa e participação em uma residência na Amazônia. Cada uma receberá R$ 100 mil para validar sua tecnologia. Ao fim do processo, uma premiação de R$ 450 mil será distribuída entre as três equipes vencedoras.

A iniciativa também busca aproximar as pesquisas das comunidades que trabalham com matérias-primas amazônicas e das empresas interessadas em novas soluções. O objetivo é criar condições para que as tecnologias avancem e possam gerar oportunidades econômicas associadas ao uso sustentável dos recursos da região.

O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia é parceiro da Fundação Rede Amazônica em iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à valorização de soluções para a Amazônia.

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